Uma mulher trans foi presa na manhã deste sábado (10), em Campo Grande, suspeita de injúria racial contra um policial rodoviário federal, além de agressões e resistência à prisão. A ocorrência foi registrada na BR-163, na altura do quilômetro 480, durante uma ação da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais encontraram uma discussão entre a passageira, identificada pelo nome social Julia, e o motorista de aplicativo. Conforme o relato do condutor, a viagem tinha como destino o Jardim Noroeste, mas foi interrompida após a passageira apresentar episódios de vômito dentro do veículo.

Segundo o motorista, ao pedir que ela desembarcasse para terminar de vomitar fora do carro, a passageira teria se exaltado, partido para cima dele e rasgado sua camisa. Uma testemunha que passava pelo local confirmou aos policiais ter presenciado as agressões e relatou que a mulher também teria tentado aplicar um golpe conhecido como mata-leão.

A equipe da PRF interveio para separar os envolvidos e tentar controlar a situação. Durante a abordagem, a passageira afirmou que queria voltar para casa e alegou que o motorista estaria retendo seu celular. O condutor, por sua vez, informou que a corrida estava registrada na plataforma de transporte. Segundo o boletim, o aparelho estava com o motorista.

Ainda conforme o registro policial, durante a tentativa de evitar um novo confronto, a mulher teria dirigido ofensas racistas a um policial rodoviário federal, que se posicionou entre ela e o motorista para impedir novas agressões. Entre as expressões relatadas estão “seu preto encardido” e “macaco”. O motorista e uma testemunha afirmaram ter presenciado as ofensas.

Diante da situação, os policiais deram voz de prisão à mulher por suspeita de injúria racial. Segundo a PRF, ela passou a desferir chutes e pontapés contra os agentes e resistiu à imobilização, sendo necessário o uso de força física para contê-la e colocar as algemas. Durante a ação, um dos policiais sofreu lesões leves em uma das mãos.

O boletim também relata que a mulher trans continuou gritando e desferindo chutes e socos contra a viatura. Já na delegacia, durante o registro da ocorrência, ela teria voltado a proferir ofensas raciais, comportamento que, segundo os policiais, foi filmado pela equipe.

A autora foi encaminhada à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, em Campo Grande. Após análise do caso pelo delegado, foi lavrado o auto de prisão em flagrante (APF), e ela permaneceu à disposição da Justiça.

A ocorrência envolve suspeitas de injúria racial, resistência e vias de fato, além de outras condutas que poderão ser apuradas no decorrer da investigação.