Durante uma reunião com prefeitos de Mato Grosso do Sul, o senador Nelsinho Trad (PSD) fez uma espécie de prestação de contas de seu mandato e mandou um recado direto sobre o perfil necessário para ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. Defendendo que a função exige preparo técnico e político, o parlamentar disparou.

"Senador não é para amador. Senador tem que ter conteúdo, tem que ter preparo, tem que galgar na vida todas as etapas para você poder se estabelecer", disse.

Ex-prefeito da Capital, Nelsinho usou sua própria trajetória para criar empatia com os gestores municipais que enfrentam crises financeiras. O senador afirmou que entende a rotina de quem está na ponta da administração pública e relembrou as dificuldades do cargo.

"Eu sei das dificuldades que vocês passam. Eu sei o que é não conseguir dormir porque a conta não está fechando e a angústia de ver a espada na cabeça se vai conseguir fechar o final do ano", relatou.

Como trunfo de sua atuação em Brasília, Trad destacou a habilidade de articulação política para transitar entre diferentes espectros ideológicos e garantir investimentos para o Estado. "Quase 3 bilhões de reais eu consegui mandar aqui para o Mato Grosso do Sul. Isso não é para qualquer um. Precisa ter articulação, precisa bater na porta e ser recebido, tanto para o lado do Bolsonaro quanto para o lado do Lula", pontuou o senador.

O discurso também ganhou tom de desabafo familiar ao citar as divergências políticas com o irmão, Fábio Trad, que se filiou ao PT. Nelsinho reforçou que manteve sua coerência ideológica e que tentou aconselhá-lo, mas respeita os caminhos opostos. "Nós não podemos brigar com a família por causa de política. Eu fiz o meu papel de mais velho, de aconselhar. Não deu certo, o que eu posso fazer? Ele que siga o caminho dele respeitando a mim e eu vou seguir o meu", finalizou.