Feminicídio
Após 30 anos juntos, mulher foi morta por tentar separação na Vila Bandeirantes
Delegada Larissa Serpa revelou que autor não aceitava o fim da união, usou a mesma faca no suicídio e mandou áudios ao filho em tom de despedida
A delegada Larissa Serpa, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), revelou que Terezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, foi morta a facadas na Vila Bandeirantes ao manifestar o desejo de se separar de Joel Escócia Carvalho, de 59 anos, após mais de 30 anos juntos. Conforme as apurações do feminicídio seguido de suicídio, o autor não aceitava o fim do relacionamento e usou a mesma faca para matar a esposa e tirar a própria vida, além de ter enviado mensagens de áudio ao filho em tom de despedida antes de o fato ser descoberto.
Segundo a autoridade policial, a convivência de mais de três décadas não registrava histórico prévio de violência na polícia. “Um casal que já tinha há bastante tempo, mais de 30 anos juntos, não havia qualquer histórico de violência registrada em uma delegacia de polícia envolvendo o casal, nem no âmbito da violência doméstica e nem fora da violência doméstica. Ou seja, não havia nenhuma medida protetiva vigente ou nada do tipo”, explicou a delegada.
A motivação apurada pela polícia aponta justamente para a resistência do autor em aceitar a decisão da vítima. “É importante destacar que essa vítima já havia manifestado para a família que desejava se separar e havia uma espécie de resistência por parte do autor de fato de encerrar esse relacionamento, embora houvesse esse desejo dela”, destacou Larissa Serpa.
Conforme a delegada, no local da ocorrência, a posição dos corpos encontrados próximos indicou que houve confronto físico no momento do ataque, com sinais de que a vítima tentou se defender das agressões. A investigação apurou ainda que, antes do crime ser descoberto, Joel encaminhou áudios ao filho tratando da destinação de pertences pessoais, em uma tentativa de resolver pendências antes de tirar a própria vida.
FEMINICÍDIO
Mato Grosso do Sul chega a 16 feminicídios em 2026. Este é o terceiro caso ocorrido em Campo Grande neste ano. Na Capital, o primeiro caso do ano ocorreu em abril, quando uma subtenente da Polícia Militar, de 59 anos, foi morta dentro de casa. O namorado é acusado do crime e responde ao processo negando a autoria.