Tragédia
"Via eles tomando tereré e rindo", diz vizinha em choque com feminicídio na Vila Bandeirantes
Moradora, que conhecia há décadas o casal, afirma que nunca presenciou brigas e que recebeu o último ‘bom dia’ da amiga na manhã do crime em Campo Grande
Uma vizinha que conhecia há cerca de 30 anos o casal envolvido no feminicídio seguido de suicídio na Vila Bandeirantes, em Campo Grande, relatou choque com o crime e que nunca presenciou brigas entre eles, ela relembra que " via eles tomando tereré e rindo". A moradora, que preferiu não se identificar, acompanhava de perto a rotina de Terezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, e Joel Escócia Carvalho, de 59 anos, e definiu a convivência como harmoniosa ao longo das décadas.
A amizade entre as famílias vinha desde a época em que os filhos do casal ainda eram crianças. Segundo a testemunha, a relação na vizinhança era de harmonia e apoio mútuo. “A gente era super amigos. A gente não era de estar um na casa do outro, mas sempre que necessitava eles estavam aqui para nos socorrer. Eram vizinhos maravilhosos. Eu não via brigas. Briguinha de casal, todo mundo tem. Agora, eu nunca vi eles brigando, discutindo. Eu vi eles tomando tereré e rindo muito. Isso eu via, porque a gente escuta tudo ali”, recordou.
As primeiras horas da manhã do crime, a rotina parecia seguir comum, as duas amigas tinham costume de se falar por aplicativo de mensagens. “De manhã a gente costumava se dar bom dia. Eu mandei o meu bom dia e ela mandou o bom dia dela hoje pra mim. Foi o último bom dia da minha amiga, da minha vizinha”, lamentou a moradora.
Sem escutar nenhum barulho ou atrito vindo do imóvel ao longo da manhã, a dimensão do que havia ocorrido só foi percebida por volta do meio-dia, quando equipes de socorro e da Polícia Militar chegaram ao local. "Nós pensamos que era um assalto seguido de algum problema, de machucar alguma coisa. Nunca na vida que eu pensei que era uma coisa dessa”, concluiu.
Terezinha foi morta a facadas na Vila Bandeirantes ao manifestar o desejo de se separar de Joel, após mais de 30 anos juntos. Conforme as apurações do feminicídio seguido de suicídio, o autor não aceitava o fim do relacionamento e usou a mesma faca para matar a esposa e tirar a própria vida, além de ter enviado mensagens de áudio ao filho em tom de despedida antes de o fato ser descoberto.