Em duas semanas, os partidos de Mato Grosso do Sul entram oficialmente no período das convenções eleitorais e, com isso, boa parte das dúvidas que ainda cercam as eleições de 2026 terá de ser resolvida. Até lá, dirigentes aceleram negociações, tentam fechar alianças e buscam acomodar interesses internos para chegar ao início do calendário eleitoral com o menor número possível de pendências.

Mesmo com diversas pré-candidaturas já lançadas, praticamente todas as principais forças políticas do Estado ainda carregam impasses que podem alterar o desenho da disputa. As conversas ocorrem de forma intensa nos bastidores e envolvem desde a formação das chapas proporcionais até a definição dos candidatos que disputarão os cargos majoritários.

PL - O caso que mais desperta expectativa continua sendo a definição da segunda vaga ao Senado na aliança formada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). A primeira vaga é reservada para Azambuja, conforme acordo firmado com lideranças nacionais da legenda. A segunda, no entanto, permanece sem dono oficial.

A escolha deveria ter sido anunciada no começo deste mês. Depois, Reinaldo Azambuja informou que o prazo seria estendido por mais 15 dias para permitir a conclusão das pesquisas encomendadas por diferentes institutos, entre eles Paraná Pesquisas e Quaest. O novo prazo também terminou sem uma definição oficial, alimentando ainda mais as especulações.

Enquanto isso, os possíveis candidatos seguem em campanha silenciosa. O deputado federal Marcos Pollon mantinha sua pré-candidatura respaldado por uma carta divulgada anteriormente por Michelle Bolsonaro, na qual o ex-presidente afirmava que o parlamentar era seu nome preferido para disputar o Senado. No entanto cenário fica menos favorável com a saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher, diminuindo o apoio do deputado federal.

Do outro lado, o ex-deputado estadual Capitão Contar continua aparecendo entre os nomes mais competitivos nos levantamentos internos realizados pelo PL e mais recentemente esteve em Brasília, recebido por Valdemar da Costa Neto que reforçou o aval pelo pré-candidato. 

Até o início das convenções, a expectativa é de novas reuniões entre as principais lideranças da direita sul-mato-grossense.

Republicanos - Outro partido que chega às convenções ainda com pontos importantes em aberto é o Republicanos. Além da organização das chapas proporcionais, a legenda também participa diretamente das discussões sobre a composição da chapa de reeleição do governador Eduardo Riedel.

Um dos principais temas envolve justamente a permanência do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha. Embora seja considerado um nome forte dentro da aliança governista, ele próprio tem evitado tratar sua permanência como garantida.

Durante entrevista concedida em maio, Barbosinha afirmou que nenhuma definição ocorre antes da convenção partidária e resumiu o momento político dizendo que "em política isso não existe garantia. Quem garante é a convenção".

Enquanto isso, o Republicanos trabalha para consolidar o grupo para a Câmara dos Deputados. Entre os nomes que disputarão uma vaga está o ex-secretário estadual Jaime Verruck, que deixou o comando da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação para entrar oficialmente na corrida eleitoral.

O presidente estadual da legenda, deputado federal Beto Pereira, também deverá buscar a reeleição. A presença dos dois nomes faz com que a formação da chapa federal seja considerada uma das prioridades internas do partido nas próximas semanas.

PSDB - No PSDB, o desafio passou a ser outro. Depois de enfrentar uma sequência de especulações sobre dificuldades para montar sua chapa de deputados federais, a direção tucana trabalha para transformar o episódio em demonstração de unidade.

A resposta veio por meio de uma grande reunião envolvendo lideranças estaduais, pré-candidatos, o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja. O encontro serviu para reforçar que o partido manterá candidaturas próprias tanto para deputado federal quanto para deputado estadual.

PT - O PT tem a pretensão de lançar ao Senado o deputado federal Vander Loubet, enquanto Camila Jara tenta a reeleição, no entanto o maior desafio é em torno da suplência. Até poucos dias, o empresário Maurício Bumlai era o nome para a vaga, no entanto, desavenças que envolvem críticas feitas por deputados estaduais, Pedro Kemp e Zeca do PT à pré-candidata pelo PSDB a deputada federal Viviane Luiza, fizeram a relação azedar e o suplente se tornou novamente um mistério.