A fase final das obras da Ponte Internacional de Porto Murtinho representa um passo importante para a implantação da Rota Bioceânica, mas, na avaliação do candidato ao Senado Reinaldo Azambuja, o maior desafio começa justamente após a conclusão da estrutura. Durante o Congresso de Gestão Pública, promovido pelo Instituto Ulisses Guimarães, em Campo Grande, nesta quinta-feira (6), o ex-governador afirmou que o objetivo agora é transformar o corredor logístico em um vetor permanente de desenvolvimento econômico para Mato Grosso do Sul.

Segundo Reinaldo, a rota precisa ir além da função de encurtar distâncias entre o Brasil e os mercados asiáticos. "O maior e mais importante trabalho da Rota Bioceânica é transformar esse caminho em um corredor de desenvolvimento, capaz de gerar investimentos, atrair indústrias, criar empregos e abrir novas oportunidades para a nossa gente", afirmou aos participantes do evento.

A Ponte Internacional de Porto Murtinho já ultrapassou 90% de execução e a expectativa é que sua estrutura principal seja entregue ainda em 2026. No entanto, o acesso brasileiro à ponte deverá ficar pronto apenas no próximo ano. Após a conclusão das obras e da implantação das medidas operacionais necessárias, a Rota Bioceânica poderá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de mercadorias até a Ásia e diminuir os custos logísticos em até 40%, criando uma nova alternativa para o escoamento da produção nacional.

O corredor internacional ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A partir de Porto Murtinho, a rota seguirá por cidades paraguaias, argentinas e chegará aos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique, aproximando os produtos sul-mato-grossenses dos mercados asiáticos. Reinaldo destacou que os benefícios não ficarão restritos ao município de Porto Murtinho, mas alcançarão cidades como Campo Grande, Sidrolândia, Nioaque, Maracaju, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Bela Vista, Bonito, Dourados e outros municípios inseridos no eixo logístico.

Apesar do potencial econômico, o candidato alertou que o sucesso da Rota Bioceânica dependerá da integração entre os quatro países envolvidos. Entre os principais desafios apontados estão a criação de aduanas modernas e unificadas, a redução da burocracia alfandegária, investimentos em tecnologia, segurança jurídica e a atuação coordenada entre governos nacionais, estaduais e municipais. Segundo ele, sem esses avanços, parte das vantagens competitivas da rota poderá ser perdida.

"A Rota Bioceânica é muito mais do que uma estrada. É um corredor logístico internacional que precisa ser construído com integração entre os países, aduanas modernas e integradas, tecnologia, segurança jurídica e a participação ativa dos governos e dos municípios. Concluir o acesso do lado brasileiro é apenas uma parte desse desafio", afirmou Reinaldo. Ao encerrar a palestra, ele defendeu que o Brasil avance na integração com Paraguai, Argentina e Chile para consolidar o projeto como um dos maiores corredores de desenvolvimento da América do Sul.