O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que não aceitará qualquer tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Em entrevista aos podcasts Não Inviabilize, de Déia Freitas, e As Cunhãs, o presidente disse que, caso o governo norte-americano tente interferir no pleito, sairá derrotado.

“Não se metam nos negócios do Brasil e, sobretudo, na eleição. Se eles se meterem, vão perder. Quem vier dar palpite nas eleições desse país vai perder”, declarou Lula.

O presidente também afirmou que o Brasil deve preservar sua soberania e disse que não pretende interferir nas eleições norte-americanas. “Pode vir para cá quem quiser, nós vamos derrotá-los e fazer o Brasil ter muito orgulho da sua soberania. Eu nunca me meti nas eleições deles, por que eles querem se meter aqui?”, questionou.

Durante a entrevista, Lula comentou a decisão do governo brasileiro de não conceder vistos a dois servidores dos Estados Unidos que pretendiam acompanhar o funcionamento das urnas eletrônicas. Ele também afirmou que o Itamaraty não deverá acelerar a concessão do agrément ao embaixador indicado pelo governo norte-americano para o Brasil.

Segundo o presidente, o aval para a nomeação do diplomata deverá ficar para depois das eleições. Lula questionou o motivo de os Estados Unidos terem levado cerca de um ano e meio para indicar o embaixador e, agora, pressionarem pela aprovação a poucas semanas do pleito.

“Queriam mandar duas pessoas para estudar as urnas. Nós não demos o visto. Agora querem que a gente apressadamente aceite o agrément ao embaixador deles. Agora, só depois das eleições”, afirmou.

Críticas às tarifas dos EUA

Lula também voltou a criticar as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Na avaliação do presidente, as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano são baseadas em informações que não correspondem à realidade.

Ele citou acusações relacionadas a trabalho escravo e desmatamento e afirmou que essas questões já teriam sido esclarecidas pelo Brasil.

Apesar das críticas, Lula disse que não busca um confronto com Washington e afirmou que mantém uma relação respeitosa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista também revelou que pretende voltar a conversar por telefone com o republicano.

“Demora para marcar, mas vamos marcar. E espero ter uma boa conversa com ele”, disse.

O presidente brasileiro afirmou ainda que considera Trump a melhor interlocução entre as autoridades norte-americanas. Segundo Lula, as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil depois do encontro entre os dois presidentes na Casa Branca teriam sido influenciadas por integrantes da equipe do republicano.

Entre os nomes citados está o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Lula disse ter alertado Trump de que seu principal responsável pela política externa não teria uma postura favorável ao Brasil e à América Latina.

Mesmo diante das divergências comerciais e diplomáticas, Lula afirmou que pretende manter o diálogo com o governo norte-americano.