O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta sexta-feira (21) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de retomar o diálogo entre os dois governos após o aumento das tensões comerciais. A ligação, feita por iniciativa de Lula, durou cerca de 1 hora e 20 minutos e teve entre os principais assuntos as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Durante a conversa, Lula voltou a contestar as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a aplicação das novas tarifas. Segundo o Palácio do Planalto, o presidente citou, entre outros pontos, questionamentos envolvendo o Pix e empresas dos Estados Unidos e a suposta aplicação inadequada de leis brasileiras relacionadas ao combate ao desmatamento.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam as economias dos dois países e defendeu a continuidade das negociações como caminho para solucionar o impasse. O presidente brasileiro também reforçou o interesse em preservar a relação comercial com os Estados Unidos. Trump, de acordo com o Planalto, concordou com a necessidade de manter o diálogo e propôs que as equipes dos dois países realizem novas reuniões presenciais.

A conversa marcou a retomada do contato direto entre os dois presidentes após um período de distanciamento. Lula vinha afirmando desde junho que aguardava uma iniciativa de Trump para uma nova conversa e, na semana passada, disse que havia decidido tomar a frente das negociações. O governo brasileiro classificou o tom da ligação desta sexta-feira como amistoso e cordial.

Outro tema tratado foi o combate ao crime organizado. Lula reiterou que o Brasil deseja ampliar a cooperação policial com os Estados Unidos, mas voltou a discordar da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Na avaliação apresentada pelo presidente brasileiro, embora esses grupos provoquem violência e medo entre a população, especialmente nas áreas mais vulneráveis, eles não devem ser equiparados a organizações terroristas. Lula também afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentar as facções sem recorrer a esse tipo de classificação.

Entre as medidas mencionadas pelo presidente está a estratégia da Polícia Federal de atacar financeiramente as organizações criminosas. Lula também citou a proposta do governo de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima como parte da estratégia de enfrentamento ao crime organizado.

Além das questões comerciais e de segurança, os presidentes conversaram sobre os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, a cooperação policial na Amazônia e a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O tema dos minerais críticos, considerado estratégico para a política de soberania nacional defendida por Lula, não foi mencionado no comunicado divulgado pelo Planalto. Também não houve indicação de uma nova reunião presencial entre os dois presidentes.