O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem cobrado que os bancos públicos sejam mais receptivos na liberação de crédito para motoristas de aplicativo interessados em financiar veículos pelo Move Brasil. A cobrança é direcionada principalmente à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil, segundo o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima.

A pressão ocorre após o governo identificar uma adesão inicial abaixo do esperado ao programa, considerado uma das principais apostas da gestão para ampliar o acesso ao crédito entre trabalhadores de aplicativos.

No início de agosto, Lula já havia demonstrado insatisfação com o ritmo de contratação. Na semana passada, voltou a reunir integrantes do governo para cobrar medidas que pudessem facilitar o acesso dos motoristas ao financiamento.

Entre os motivos apontados para a baixa adesão estão as exigências e a burocracia adotadas pelas instituições financeiras durante a análise dos pedidos.

Participaram das reuniões integrantes do primeiro escalão e da equipe econômica, entre eles o ministro da Fazenda, Dario Durigan; o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Financiamentos aumentaram

Apesar das cobranças, Uallace Moreira afirma que a procura pelo Move Brasil vem crescendo. Segundo ele, houve aumento de cinco vezes no número de financiamentos de veículos destinados aos motoristas de aplicativo desde o início do programa.

O secretário explicou que a análise de crédito continua sendo responsabilidade das instituições financeiras e que o governo não interfere individualmente na aprovação ou rejeição dos pedidos.

“O Move Brasil é um programa de linha de crédito. Nessa relação do trabalhador com o banco, o governo não interfere, pois trata-se de uma avaliação de crédito por parte do sistema financeiro”, afirmou.

Segundo Moreira, a estratégia adotada pelo governo foi utilizar um fundo garantidor para reduzir parte do risco assumido pelos bancos e, assim, facilitar a oferta de financiamento para uma categoria que tradicionalmente enfrenta mais dificuldades para conseguir crédito.

“O que o governo fez, já compreendendo as limitações financeiras do perfil desses trabalhadores, foi usar o fundo garantidor para cobrir uma parte dos riscos dessas operações”, explicou.

Programa não atende negativados

Apesar das condições diferenciadas, o Move Brasil não elimina os critérios utilizados pelos bancos para avaliar os clientes. Motoristas com restrições cadastrais, por exemplo, não conseguem utilizar o programa para resolver pendências financeiras e obter o financiamento.

“O programa não resolve a situação do trabalhador que está negativado. Ele é uma linha de crédito que se diferencia das demais por oferecer uma taxa de juros bem abaixo da taxa praticada pelo mercado”, destacou o secretário.

A expectativa do governo é ampliar a adesão ao programa nos próximos meses, especialmente entre motoristas que precisam renovar ou substituir os veículos utilizados no trabalho.

A cobrança de Lula sobre os bancos públicos ocorre justamente nesse esforço para reduzir entraves e tornar o crédito mais acessível, sem alterar a responsabilidade das instituições financeiras pela análise de cada operação.