As campanhas eleitorais já chegaram à sua terceira semana, desde o início aprovado pela Justiça Eleitoral em 16 de agosto. Desde então, os candidatos se dividem nas viagens pelo interior do Estado, ouvindo demandas e buscando formas de ampliar suas bases. Enquanto o governador Eduardo Riedel tenta fazer das agendas uma forma de prestação de contas com a sociedade, os demais postulantes, Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (NOVO), Lucien Rezende (PSOL) e Delcídio Amaral (PRD), tentam ir pelo caminho contrário, apontando erros e prometendo renovação, conforme repassado para a reportagem.

Eduardo Riedel

Já tendo passado por 21 municípios no início da campanha e com expectativa de chegar a 24 nos primeiros 20 dias do mês de setembro, o governador Eduardo Riedel (PP), que busca a reeleição, contou ao JD1 Notícias que, além de ouvir demandas, as agendas são uma forma de prestar contas com a população, ver o que deu certo e o que gerou resultado na ponta. "Para mim, essa presença tem um significado importante. Nosso governo sempre teve uma relação muito próxima com os municípios. O municipalismo não pode existir apenas no discurso; ele exige conhecer a realidade de cada cidade, conversar com prefeitos, vereadores, lideranças e, principalmente, com quem vive ali. A campanha também é esse momento de voltar às cidades, prestar contas do que fizemos e ouvir o que cada região espera do próximo ciclo".

Segundo Riedel, não houve ainda apresentação de demandas desconhecidas pelo Estado, mas houve na dimensão e urgência do que eles já imaginavam. "O crescimento econômico de Mato Grosso do Sul, por exemplo, está transformando muito rapidamente algumas cidades. E crescimento traz oportunidades, mas também traz pressão sobre habitação, saúde, educação, mobilidade, infraestrutura urbana e qualificação de mão de obra". Segundo o governador, a conversa deixou de ser apenas sobre trazer o investimento ou gerar emprego. "É sobre preparar a cidade para esse novo momento".

Para as próximas visitas, Riedel pretende conversar sobre os novos desafios, caso reeleito. "Quero continuar fazendo uma campanha propositiva, baseada em diálogo, resultado e futuro. Mostrar o que foi entregue, reconhecer com muita tranquilidade aquilo que ainda precisa avançar".

Propostas

No plano de governo que prevê continuidade, está a proposta para a abertura de 600 novas vagas, exclusivas para mulheres, do programa MS SUPERA MULHER para vítimas de violência. No ambiente familiar, o modelo deve fortalecer a educação inclusiva, qualificando continuamente os profissionais de apoio, ampliando o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e deve consolidar ainda as políticas voltadas ao bem-estar das pessoas idosas e às pessoas com deficiência, com foco em acessibilidade e inclusão produtiva.

Na área cultural, o plano inclui restauração e modernização do MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul. O incentivo ao cooperativismo, ao artesanato e aos empreendimentos culturais comunitários também está incluso.

No esporte, Riedel quer manter os programas Bolsa Atleta e Bolsa Técnico, ampliando alguns programas implementados na última gestão como, por exemplo, as bolsas pré-paralímpica e pré-surdo-olímpica.

Pensando no crescimento econômico, o plano prevê dobrar os recursos aplicados no Voucher Transportador, ampliando o número de habilitados nas categorias “D” e “E”, passando para, pelo menos, 5 mil habilitados até 2030, além de fortalecer mecanismos de intermediação entre trabalhadores e empresas.

Já para o agronegócio, a ideia é implementar o primeiro Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais – FIAGRO do MS, ou modelo semelhante de financiamento para a atividade agropecuária. "Incentivar e atrair novos investimentos em agroindustrialização com foco em cadeias emergentes no estado".

FÁBIO TRAD

Ao JD1, Fábio Trad (PT) conta que o que mais percebeu foi desassistência para a população interiorana. Ele ressalta que, apesar de estar fechado, seu plano de governo continua como "organismo vivo", colhendo as demandas que encontra nas agendas. "A população cobra pelo fim de gargalos históricos que afetam o cotidiano, como as filas imensas para fazer uma cirurgia simples, ou a dificuldade de ter um atendimento com especialista no interior".

Segundo Fábio, a campanha já percorreu 63 municípios, com 300 reuniões, chegando ao Pantanal, ao Bolsão, da Fronteira ao Vale do Ivinhema e à Região Central. "Nossa caminhada pelo estado tem sido intensa e muito produtiva".

Nesta semana, os compromissos são em Corumbá. Sobre a expectativa, o candidato diz querer continuar no "olho a olho". "Chegamos a esta reta final com muita esperança e responsabilidade. O agronegócio, os recordes de exportação e os indicadores de crescimento só fazem sentido se servirem como um meio para melhorar a vida das pessoas na ponta. Afinal, crescer sem distribuir é perpetuar injustiça social".

Propostas

Fábio Trad defende em seu plano de governo uma Política Estadual de Neoindustrialização Verde, incentivando a agroindustrialização, ampliando o processamento e a verticalização local da produção. A proposta pretende criar o Plano Estadual de Agregação de Valor com o objetivo de gerar empregos qualificados e ampliar a renda.

No campo da saúde, um dos principais motes é a construção de hospitais regionais em Corumbá, em Naviraí e em Jardim, aumentando o número de leitos e serviços para atender às demandas de Média e Alta Complexidade nas regiões do Pantanal, do Cone Sul e da Serra da Bodoquena (Jardim/Bonito/Guia Lopes da Laguna, no caminho da Rota Bioceânica). Ele aposta ainda na possibilidade de se instaurar a Carreira Estadual do SUS-MS para valorizar os profissionais do SUS em MS, inspirada em modelos adotados parcialmente por estados como Ceará e Bahia.

Outras criações seriam no eixo da segurança, com o Programa Estadual de Segurança nas Escolas, englobando ações voltadas para mediação de conflitos, patrulha escolar, apoio psicossocial, prevenção ao bullying e à violência, e o Plano Estadual de Segurança Rural, com foco na mediação de conflitos fundiários, no combate ao furto de defensivos, máquinas e gado.

Inspirado nas ações do colega de sigla, o deputado estadual Zeca do PT, enquanto governador do Estado, Fábio quer criar o Programa Primeiro Caminho Universitário, para a oferta de cursinhos populares, preparação para o ENEM, bolsas permanência, apoio a estudantes de baixa renda e incentivo ao ingresso no ensino superior.

JOÃO HENRIQUE CATAN

O deputado estadual João Henrique Catan (NOVO) conta que percorreu várias cidades e percebeu que "as pessoas querem falar e querem ser ouvidas". Uma das maiores demandas que ouviu foi sobre a preocupação com a falta de oportunidades para os jovens. Os pedidos incluem ainda melhora na qualidade das estradas e a necessidade de atendimento especializado de saúde nas regiões afastadas dos grandes centros. "Cada viagem tem reforçado uma convicção: precisamos fazer o Estado olhar para todos os municípios, não apenas para Campo Grande; precisamos fazer o que é certo e necessário com o dinheiro público. E todo este cenário revelado em cada município será mudado pelo meu plano de governo".

Catan respondeu ao JD1 que não quer fazer uma campanha baseada "apenas em propaganda". Nos próximos dias, a campanha não vai esfriar e o candidato já adianta a ampliação do diálogo nos municípios. "Apresentar cada vez mais claramente o que pretendemos fazer quando chegarmos ao Governo do Estado. Acredito que o eleitor está cansado de promessa. Ele quer coragem para enfrentar os problemas que ninguém enfrentou até agora", concluiu.

Propostas

Em suas propostas do plano de governo, Catan traz a ideia de infraestrutura com pavimentação além do asfalto. "Pavimentar é drenar, sinalizar, calçar, garantir acessibilidade e reduzir custo de manutenção futura".

Assim como outros projetos, o plano de governo fala em descentralizar a saúde. No eixo econômico, o candidato prefere simplicidade e acredita que a política tributária precisa ser previsível, preservando a competitividade de quem produz e investe.

Para isso, Catan fala em reformular o Fundersul, direcionando seus recursos exclusivamente para infraestrutura, transporte, logística e viabilidade da produção, especialmente estradas, pavimentação, duplicações e novos acessos. Estabelecer um critério de distribuição que considere quanto cada município contribui e produz, garantindo maior retorno às regiões que geram os recursos.

Logo nos primeiros 90 dias de governo, a proposta é realizar o mapeamento estadual das pontes críticas e publicar um plano de intervenção com prioridades e cronograma. Outra ideia é a Casa Sustentável MS, que terá soluções de conforto térmico, eficiência energética, economia de água, energia renovável quando viável e tecnologias construtivas modernas e duráveis.

Para a saúde, a proposta exige o funcionamento de hospitais regionais 24 horas, com estrutura compatível para urgência, internação, diagnóstico, cirurgias e especialidades conforme a demanda de cada região.

Já para o ensino, com o objetivo de tornar a aprendizagem mais acessível e flexível, com diferentes formas de apresentar conteúdos, a ideia é adotar princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem, ampliando a tecnologia assistiva, comunicação alternativa e recursos pedagógicos adaptados.

DELCÍDIO AMARAL

O ex-senador e candidato ao governo pelo PRD, Delcídio Amaral, começou a campanha no dia 29 de agosto e alega que a receptividade tem sido espetacular, já que, segundo ele, a maioria das pessoas o vê com positividade. Para o mês de setembro, a expectativa é manter as agendas em todos os municípios, pois todos já foram atendidos por ele em mandato.

"Tenho folha de serviço prestado no estado inteiro e não vou perder essa oportunidade e essa campanha como candidato, e, se Deus quiser, futuro governador do Mato Grosso do Sul", declarou. Durante as viagens, o candidato aponta que uma demanda recorrente é na questão da saúde. "A situação é muito pior do que era, é altamente preocupante".

De acordo com Delcídio, sua candidatura quer colocar Mato Grosso do Sul no eixo. "A expectativa é discutir o projeto de Estado e não o projeto de um grupo. E o nosso projeto tem condições de colocar MS no lugar que merece, nesse Estado que tem um potencial imenso e um povo maravilhoso".

Propostas

Na saúde, Delcídio propõe instalar centros regionais de atenção especializada em hospitais públicos, modernizar a vigilância epidemiológica e sanitária, criar planos de carreira e rever contratos de terceirização com organizações sociais e PPPs.

Para a segurança, a promessa é fortalecer o policiamento rural contra crimes como furto de gado, criar um centro integrado de inteligência na fronteira, com drones e satélites, e valorizar policiais. Também promete patrulhamento preventivo e botões do pânico nas escolas.

Já na educação, o candidato defende autonomia administrativa e financeira para a UEMS, retomada do percentual previsto em lei e liberdade para professores desenvolverem projetos pedagógicos. Na cultura, pretende reformular o FIC/MS, simplificando regras para facilitar o acesso de artistas da periferia e do interior aos recursos públicos.

Uma das únicas propostas de blockchain vistas pela reportagem está no plano de Delcídio para o esporte, para dar transparência aos repasses destinados a federações, clubes e municípios. O sistema permite que os dados fiquem salvos em vários computadores, acompanhando desde o início até o final dos repasses.

Na infraestrutura e logística, quer criar um comitê paritário do Fundersul, estimular PPPs para retroáreas portuárias e ampliar a cabotagem e a integração aduaneira com Bolívia, Paraguai e Argentina.

LUCIEN REZENDE

Tocando a campanha majoritária pela federação PSOL-Rede, Lucien Rezende irá percorrer três das maiores cidades do Estado, Dourados, Três Lagoas e Corumbá, incluindo as cidades próximas, nos próximos dias. Nesses locais, o candidato deve fortalecer o apoio aos integrantes das chapas de deputados estaduais e federais, como Costa Rica, Paranaíba, Aquidauana, Anastácio, Coxim e Naviraí.

Conforme relatado por Lucien à reportagem, a recepção tem sido positiva, pois os eleitores estão cansados da "política meramente eleitoreira". "As demandas continuam sendo as mesmas de sempre: saúde que atenda às pessoas perto de casa, educação de qualidade que garanta oportunidade de escolha para os nossos jovens, segurança que trate o cidadão como cidadão e realmente proteja e não oprima, sem falar nas imensas necessidades sociais que a nossa população tem, especialmente os indígenas, os 60 mais e os pequenos empresários e pequenos produtores rurais".

Lucien quer passar o recado de que está do lado do povo e dos trabalhadores. "Para isso vamos aproveitar cada oportunidade de falar com o eleitor, de deixar nossa mensagem".

Propostas

Lucien Rezende também cita a ampliação da regionalização do atendimento em seu plano, com previsão de UTIs móveis, equipes multidisciplinares, acompanhamento domiciliar e ações preventivas e emergenciais.

No campo do funcionalismo, também defende melhores salários, planos de carreira, equipamentos e condições adequadas aos servidores.

O plano prevê concursos públicos, formação continuada e valorização de professores e administrativos na área da educação. O projeto ainda conta com a expansão do ensino integral, com aprendizagem, cultura, esporte, lazer e alimentação.

Para a cultura, Lucien quer democratizar o acesso aos recursos, apoiar espaços independentes e incentivar a formação artística de jovens, usando o setor como instrumento de inclusão e geração de renda.

Além de políticas para as mulheres, fiscalização do desmatamento e integração das forças de segurança, o candidato também promete a manutenção de programas permanentes nas escolas e universidades, além de políticas para pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, idosos e moradores das periferias.