A sabatina 'Frente a Frente – Eleições 2026', recebeu o candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT), que apresentou propostas como mudanças na distribuição de renda, revisão de incentivos fiscais, investimentos nos serviços públicos e maior fiscalização dos recursos do Estado.

Fábio Trad respondeu no início que deseja governar Mato Grosso do Sul por considerar que está preparado para conduzir o Estado de forma diferente da atual gestão. Segundo ele, apesar de MS ser rico, produzir muito e ter crescido acima da média nacional, essa riqueza não chegou às famílias de maneira equilibrada. Trad apontou a desigualdade na distribuição de renda como um dos principais problemas e citou que os 10% mais ricos concentram o mesmo volume de recursos que os 70% mais pobres.


Meio ambiente e sustentabilidade

Ao JD1 Notícias, Fábio Trad afirmou que preservação ambiental e produção podem caminhar juntas, mas demonstrou preocupação com a perda de água e os incêndios no Pantanal. Segundo ele, 90 mil hectares foram queimados em 2025, enquanto em 2024 teriam sido 22 mil hectares. “Nós precisamos ter um olhar muito atento para o Pantanal, porque a Bacia do Alto Paraguai, que é a caixa d'água do Pantanal, está sofrendo com várias nascentes sendo comprometidas. O Pantanal está perdendo água, gente, o Pantanal está perdendo muita água.”

O candidato também defendeu qualificação permanente das brigadas, pagamento por serviços ambientais e uso de tecnologia para mapear áreas vulneráveis. “Se tem fumaça, falhou a prevenção. Nós temos que pagar por serviços ambientais, nós temos que explorar turisticamente o Pantanal, preservando o bioma, mas também precisamos reconhecer que é um ativo econômico, desde que haja sustentabilidade.”

Ao tratar do Cerrado e da expansão do eucalipto, ele citou o desaparecimento de 400 nascentes e afirmou que Mato Grosso do Sul possui 1,7 milhão de hectares plantados com eucalipto, área que, segundo ele, equivale a 80% do território de Sergipe. “Eu não sou contra a indústria da celulose. Eu sou a favor desde que haja critérios rigorosos de sustentabilidade ambiental. Nós não podemos sacrificar as populações rurais, escolas rurais que estão sendo obrigadas a se mudar para a cidade. Nós não podemos sacrificar as nascentes.”

Ao SBT-MS, Fábio Trad defendeu maior transparência nas autorizações para desmatamento e apontou Bonito como um ativo turístico, econômico e cultural. “Nós temos que trabalhar em conjunto com o município de Bonito, convocar também os produtores rurais que obedecem à lei ambiental, fazer pagamento a eles por serviços ambientais e conciliar exploração turística, é uma indústria limpa, com o desenvolvimento econômico.”


O candidato também defendeu que a renda gerada pelo turismo permaneça no município e citou novos segmentos que pretende explorar no Estado. “A renda gerada pelo turismo, pela cultura, não pode ir embora. Ela tem que ficar em Bonito. Nós temos que criar uma logística de turismo naquela região e explorar outros nichos turísticos no Estado de Mato Grosso do Sul: afroturismo, turismo rural, turismo gastronômico.”

 

Arrecadação e finanças públicas

Ao Correio do Estado, Fábio Trad afirmou que pretende financiar a ampliação das políticas sociais e dos serviços públicos com uma revisão das prioridades do orçamento, corte de desperdícios e redução de cargos comissionados. “Primeiro, nós vamos fazer uma revisão das prioridades orçamentárias. Depois, nós vamos combater privilégios e desperdícios. Vamos reduzir o número de cargos comissionados, porque sabemos que tem muitos servidores comissionados que não atendem às demandas da população e, sim, às demandas do governo.”


O candidato também prometeu revisar contratos de benefícios tributários concedidos a empresas e avaliar as contrapartidas oferecidas, como geração de empregos, desenvolvimento regional e qualificação da mão de obra. “Não para rescindi-los, eu sou advogado e prezo pela segurança jurídica, mas para saber se há transparência na contrapartida. Quantos empregos esses contratos de beneficiamento tributário, isenção e redução do valor de pagamento de tributos geraram? Desenvolveu a região onde elas foram instaladas? Qualificaram a mão de obra?”


Fábio disse que as medidas começarão a ser executadas nos primeiros 100 dias e negou que pretenda criar ou aumentar impostos. Ao defender uma revisão da política tributária, citou a cobrança de 14% sobre aposentados do serviço público e a alíquota de 6% do ITCD. “Nós precisamos rever essa engenharia tributária e, assim, cobrar mais de quem tem mais e cobrar menos de quem tem menos. Isso está na Constituição. É o princípio da progressividade tributária.”


Questionado pelo Campo Grande News sobre incentivos fiscais, Fábio criticou a política de renúncias fiscais e argumentou que a reforma tributária mudará a lógica de arrecadação. “Com a nova reforma tributária, a arrecadação vai incidir sobre o consumo e não sobre a produção. Logo, toda a sanha de isenção fiscal que ele demonstrou ao longo desses quatro anos, que sucederam aos outros oito do ex-governador, não gerará o efeito esperado no aspecto tributário.”


Na avaliação do candidato, o Estado precisa ampliar a parcela da população com maior poder de consumo para se adaptar ao novo modelo. “Nós temos que fazer ascender das classes D e E para as classes C e B uma massa de classe média consumidora.” Ele defendeu políticas voltadas às regiões menos desenvolvidas de Mato Grosso do Sul, diante da redução do espaço para incentivos fiscais com a reforma. “Sobre a questão do desenvolvimento, nós vamos igualar o desenvolvimento regional, não só na Costa Leste, mas em todas as regiões do Estado.”

Educação

Ao portal A Crítica, o ex-deputado defendeu a valorização dos professores e prometeu apresentar, caso eleito, um plano plurianual de concursos públicos para reduzir progressivamente o número de temporários. O candidato citou ainda o desempenho da educação estadual e afirmou que o Ideb de Mato Grosso do Sul é de 4,4, enquanto o da rede estadual é de 4,2. “Nós precisamos também cuidar da saúde mental dos professores. Eles estão muito premidos por um excesso de burocracia que tolhe a sua capacidade de liderar, de pilotar, de protagonizar a sala de aula.”

Ao ser questionado sobre políticas para evitar que jovens abandonem os estudos, Fábio afirmou que o Estado prevê R$ 2,9 bilhões para a educação e citou cerca de R$ 9 bilhões em investimentos previstos para educação, saúde e segurança, além de mencionar R$ 12 bilhões em isenções concedidas a empresas. “O aluno precisa ser, logo no início, alcançado para que ele não saia do ensino médio. Nós precisamos fortalecer a assistência social e a psicologia nas escolas. Isso é fundamental. Nós precisamos entender o que se passa com esse aluno e estreitar relações com o governo federal e, quem sabe, até suplementar o Pé-de-Meia aqui no plano estadual para ele não sair.”


À TV Guarandi, Fábio Trad afirmou que pretende ampliar o atendimento de saúde mental para professores e demais trabalhadores da educação, com psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Segundo ele, parte dessa estrutura profissional já existe no Estado. “Esses quadros já estão no governo do Estado, basta mobilizá-los politicamente, liderar com um espírito republicano uma frente em defesa da sanidade mental não só dos professores, dos trabalhadores da educação. Então, você tem merendeiras também.”

Trad também relacionou a saúde mental ao desempenho escolar e voltou a citar os indicadores educacionais do Estado. “Estão muito pressionados para apresentarem índices e, muitas vezes, esses índices não condizem com a realidade. Eles mostram mais do que, na verdade, é. Porque o Ideb, se você abrir o Ideb, além de ser fluxo de aprovação, é o Saeb, sistema de avaliação de matemática e português, e os dois não estão bons em Mato Grosso do Sul.”

Saúde
Questionado pela TV Guarandi sobre prazos para criação de centros oncológicos em Campo Grande, Dourados, Corumbá e Ponta Porã, Fábio apontou uma previsão é de 18 meses, e não apenas nas quatro cidades. "É que o presidente Lula, apresentou agora, na sua campanha, uma proposta que vai nos ajudar: em todas as cidades acima de 150 mil haverá construção de centros oncológicos. Mato Grosso do Sul tem duas: Dourados e Campo Grande. Então, aqui, ok. Nós precisamos fazer em Corumbá e Ponta Porã e vamos buscar recursos. Cadê os deputados federais? Emendas individuais, emendas de bancada. Nós vamos atrás do dinheiro do SUS, nós vamos atrás de convênios, nós vamos ao Ministério da Saúde liderar politicamente o Estado".

Fábio falou ainda que falta liderança política em Mato Grosso do Sul precisa passar os índices do Mato Grosso pois temos um ambiente de negócios favorável. "Mas, para isso, é preciso que alguém tenha visão, tenha boa relação institucional, conheça gestão pública e uma certa experiência republicana em Brasília para poder otimizar os recursos".

Fábio Trad defendeu a criação de uma carreira estadual do SUS para dar segurança aos profissionais e facilitar a permanência de médicos, enfermeiros e demais trabalhadores da saúde no interior. Para municípios menores, como Selvíria, Paranhos e Tacuru, afirmou que pretende oferecer gratificações. “Não tem outra maneira a não ser pagando mais. Nós temos que dar gratificações. Qual médico, com família, vai querer morar, por exemplo, numa cidade muito pequena que não tem infraestrutura? Ele precisa de um estímulo e nós vamos dar.”


Trad acrescentou que os profissionais enviados ao interior precisam contar com estrutura mínima para diagnóstico, reduzindo a necessidade de encaminhar pacientes para Campo Grande e cidades-polo. “Ele não pode ir sozinho. Ele tem que ir com um mínimo de estrutura de diagnóstico para precisar, de forma correta, a patologia, evitando a migração para Campo Grande e as cidades-polo.”


Ao Correio do Estado, o candidato defendeu maior fiscalização das contas da Santa Casa de Campo Grande e afirmou que, apesar de ser uma instituição privada e filantrópica, o hospital presta serviço público e deve prestar contas. “Nós sabemos que é uma entidade privada, filantrópica, mas ela presta serviço público e isso não a exime de prestar contas aos poderes.”


Trad também propôs reduzir gradualmente o número de pacientes que deixam o interior para buscar atendimento de média e alta complexidade na Capital, desafogando a Santa Casa e o Hospital Regional. “Nós vamos tentar diminuir progressivamente o número de pessoas que, do interior, vão fazer tratamento de média e alta complexidade aqui na Capital.”

Segurança pública
Ao SBT-MS, Fábio Trad defendeu reforço no efetivo policial e integração entre forças de segurança para combater o avanço de facções criminosas. Segundo ele, há um déficit de praticamente 50% no efetivo da Polícia Militar, enquanto os praças recebem R$ 100 mensais de vale-alimentação. “Nós vamos criar o Centro Integrado de Inteligência da Fronteira: Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e Estadual, Polícia Federal, com compartilhamento de dados, uso de satélites, drones e, sobretudo, leitura automática de placas.”


Trad também prometeu empossar 417 integrantes da Polícia Civil que, segundo ele, aguardam nomeação, além de recompor o efetivo da Polícia Penal. Questionado especificamente sobre o Comando Vermelho, defendeu atingir a estrutura financeira das facções e disse que simplesmente aumentar penas não reduz a criminalidade. “É preciso buscar o dinheiro. Quem lava? Quem é que produz? Quem é que faz atravessar? E assim, estrangulando financeiramente essas organizações, nós podemos, ao menos, fragilizá-las para combatê-las de igual para igual.”


Questionado pelo portal A Crítica, Trad reconheceu o aumento da letalidade policial, mas afirmou que cada ocorrência precisa ser analisada individualmente. O candidato citou o artigo 25 do Código Penal, que trata da legítima defesa, e defendeu responsabilização em casos de abuso. “Um bandido tira a arma para um policial, ele tem que agir em legítima defesa. Está lá no artigo 25 do Código Penal. Agora, se houver abuso, que seja processado e punido de acordo com a lei. O que nós não podemos é tolher a atividade policial.”

Para Trad, o enfrentamento à criminalidade também passa pela qualificação dos agentes. O candidato prometeu financiar treinamento no exterior para integrantes das forças de segurança. “O policial tem que ser mais talentoso, habilidoso e preparado que o delinquente na questão relacionada à contenção e repressão. Mas ele tem uma limitação: a lei. A lei o limita. O delinquente não tem compromisso com a lei.”

Desenvolvimento Econômico e Tecnológico

Ao responder ao Campo Grande News sobre como pretende desconcentrar o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul, agregar valor à produção e estimular a industrialização, Fábio Trad defendeu a ascensão social como forma de ampliar o consumo e movimentar a economia. “Minha ideia não é empobrecer os ricos. A minha ideia é fazer com que as pessoas pobres ascendam para a classe média e possam consumir o mínimo de possibilidades para viver uma vida feliz. Qual é o prejuízo disso para quem está na elite? Se as pessoas consumirem mais, vai gerar mais lucro para o empreendimento. Eu quero que uma família pobre tenha condições, ascendendo de classe social, de ir a um restaurante e viajar. Qual é o prejuízo disso?”, afirmou.


Trad também defendeu investimentos em tecnologia e inovação e disse que pretende estimular a agregação de valor, inclusive no agronegócio. “Nós precisamos, através da administração do Estado, concentrar o nosso esforço e valorizar tecnologia, tecnologia e inovação. Porque o ser humano não é mais braçal, nem muscular. É tecnológico, é cerebral”, declarou. Ao falar do agro, acrescentou: “Eu sou amigo do agro, eu tenho pelo agro um respeito profundo. Só que eu quero que o agro não esgote apenas o que sai da terra. O agro tem que ter também a tecnologia do agro, industrializar o agro. Essa industrialização do agro qualifica a mão de obra para pagar mais. E, assim, ele vai gerar mais renda, vai consumir mais, e todos vão sair ganhando”.


Ao responder ao JD1 sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Estado e as contrapartidas assumidas pelas empresas beneficiadas, Fábio Trad afirmou que pretende ampliar o acompanhamento dos contratos e monitorar as isenções fiscais. A proposta, segundo ele, é verificar se os compromissos assumidos pelas empresas em troca dos benefícios concedidos pelo poder público estão sendo cumpridos.


O candidato também afirmou que pretende criar uma regulamentação geral para esse tipo de investimento, com regras para o acompanhamento dos benefícios e das contrapartidas. “Nós vamos encaminhar à Assembleia Legislativa uma lei geral que regula esse tipo de investimento”, afirmou Trad. Segundo ele, os contratos e incentivos concedidos pelo Estado serão acompanhados durante sua execução. “Todos serão monitorados”.