Saúde, redução de impostos e seguranças são temas que mais impactam a vida da população e que têm prioridade na hora do eleitor escolher seus governantes. Apesar da apatia, alguns ainda se preocupam em ter candidatos que atendam as necessidades. O JD1 foi às ruas e ouviu o que os eleitores acreditam que seja necessário melhorar.


Saúde
A costureira Rosimeire Martinez está afastada e diz que não conseguiu nem mesmo atendimento psicológico pela saúde pública. Para ela, a dificuldade vai desde conseguir atendimento até ter acesso aos medicamentos necessários. “Você passa por um médico, mas não tem remédio. Você vai no médico, também não tem”. Sem acreditar em melhorias, a eleitora nem mesmo pensa em votar. “Porque não adianta nada. Você vota, vota, vota todo ano e está pior. Então, eu prefiro nem votar”.

A saúde também foi alvo de reclamação de Cícero Firmino. O vendedor afirma que “a saúde está carente” e relata a demora para conseguir atendimento. “Eu mesmo estou esperando uma consulta. Eu esperei quatro meses. Quando fui lá, remarcaram para novembro. Vai saber se, quando chegar novembro, vai estar atendendo”, lamentou.
Cícero também falou sobre a falta de segurança e de confiança nas instituições. “O problema é que você nem pode ir a uma delegacia fazer uma queixa de alguma coisa, porque você não sabe com quem está falando lá dentro”.

Nas propostas de governo, a saúde toma espaço como uma das principais bandeiras. O governador Eduardo Riedel (PP), que busca a reeleição, propõe fortalecer principalmente a regionalização e a integração entre os diferentes níveis de atendimento. Uma das propostas é implantar e colocar em funcionamento o Hospital Regional do Pantanal.

O programa também prevê fortalecer os hospitais de média complexidade, considerados parte da estrutura regional de atendimento, e implantar um modelo integrado de regulação estadual em articulação com os municípios. A intenção é ampliar o atendimento fora da Capital e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes.

O economista Renato Gomes (DC) pretende elevar gradualmente os recursos destinados à saúde, dos atuais cerca de 12% para 18% a 20% do orçamento ao fim do mandato, com aumento de dois pontos percentuais por ano.
O programa inclui uma força estadual permanente contra arboviroses, integrando os 79 municípios, além de regulação transparente das filas de cirurgias, inclusive de laqueaduras.

Já Lucien Rezende promete a criação do programa “Saúde em Casa”, voltado a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldade de locomoção. A ideia é oferecer equipes multidisciplinares, acompanhamento domiciliar e atendimentos preventivos e emergenciais, além de UTIs móveis.

Segurança
O tripé de prioridades também passa pela segurança. O aposentado Antonio Flozindo Duarte apontou que a falta de políticas públicas sociais aumenta a insegurança, ao deixar pessoas em situação de rua sem atendimento adequado no Centro da cidade. “O que tem que fazer? O pessoal da direita fala que tem que pegar eles e eliminar. E eu, como sou da esquerda, penso que tem que pegar eles e fazer um tratamento”.

O medo é o mesmo para quem trabalha na região. O comerciante Nilson Junior conta que notou o declínio na segurança pública nos últimos quatro anos, situação que, segundo ele, afeta as vendas e afasta clientes. “Hoje, chega às cinco horas da tarde, o que acontece? As pessoas querem ir embora. Ou as pessoas nem vêm para o Centro. Vão para o Shopping Campo Grande, para o Norte Sul, onde se sentem mais seguras”.

Apesar de a falta de segurança ser sentida na cidade, eleitores cobram maior atuação do Estado e medidas capazes de devolver a sensação de segurança, principalmente nas regiões de maior circulação de pessoas.

O candidato João Henrique Catan (PSOL) abordou em sabatina o plano de criar uma política integrativa e preventiva contra a violência doméstica, voltada também à população em situação de rua e às regiões com altos índices de criminalidade. Segundo ele, a intenção é reduzir a estrutura administrativa para direcionar recursos a essas políticas.
Jeferson Bezerra, que concorre ao Governo do Estado pelo Agir, fala em seu programa de governo em integração das forças de segurança e investimento em tecnologia, com presença ampliada no interior.

Impostos
Além dos principais pilares demandados, a política tributária também aparece como uma preocupação do eleitor e pode pesar na definição do candidato escolhido na hora do voto. Para comerciantes, principalmente, o peso dos impostos aparece diretamente relacionado aos custos para manter os negócios.

André Corrêa é comerciante e aponta os altos impostos para a classe média e o peso dos tributos no orçamento. “O IPTU é muito caro, o IPVA é caro também. Se abaixasse mais... Porque pagamos tanto e não temos qualidade de asfalto, qualidade de funcionamento, qualidade de um monte de coisa”.

Também comerciante, Celso Henrique criticou a forma como os impostos são cobrados e a queda do poder de compra. “A cesta básica baixou, mas você não vê que baixou, o imposto está embutido. Tinha que ser um imposto justo, um imposto único para o Brasil inteiro. O Brasil é um só. Por que em uma região é um valor e em outra região é outro?”
Para melhorar a economia, o candidato Fábio Trad (PT) propõe a criação do Programa Estadual de Emprego e Nova Economia, reunindo qualificação profissional, acesso ao mercado de trabalho, inovação, empreendedorismo e desenvolvimento regional. O plano também prevê uma Política Estadual de Trabalho Digno, voltada ao combate à precarização, ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão, além da proteção de trabalhadores de aplicativos e da igualdade salarial.

A capacitação também está no plano de governo de Delcídio Amaral, que ainda projeta a possibilidade de parcerias com universidades, instituições de ensino e pesquisa, organizações culturais e esportivas e trabalhadores ligados diretamente à atividade turística para usar o setor a favor da economia.

A intenção é incluir pequenos empreendedores, artesãos e prestadores de serviços na cadeia econômica do turismo, fazendo com que parte da renda movimentada pelos visitantes permaneça nas próprias comunidades e contribua para movimentar a economia local.

Rosimeire Martinez, 42 anos. Costureira
“A gente vai passar por um médico, mas não tem remédio. Você vai no médico e também não tem. Eu não consigo um psiquiatra público. Vai no posto, pega encaminhamento, o encaminhamento volta, tem algum problema. Se o paciente não estiver se matando, eles não te atendem. Todo o meu tratamento foi particular, porque eu não consegui pela rede pública” Descontentamento leva à descrença na política. “Estou pensando nem em votar. Porque não adianta nada. Você vota, vota, vota todo ano e está pior. Então, eu prefiro nem votar”
João Nunes, 67 anos, motorista de aplicativo
“O relato das pessoas é a falta de segurança, é o que mais relatam aqui”. João Nunes conta que ouve relatos frequentes sobre furtos e roubos, embora nunca tenha presenciado uma situação do tipo. “Graças a Deus, não. Mas o pessoal fala mais”, afirmou. Para ele, segurança é um tema que deve ser considerado na escolha dos representantes, principalmente para o Governo do Estado. Apesar disso, ainda não definiu seu candidato, “mas pra presidente é 22”, resumiu.
Cícero Firmino, 62 anos, vendedor
“Os três estão carentes. A saúde está carente, a educação está carente, porque tiraram o poder dos pais com os filhos, e a segurança, porque prende hoje e no outro dia solta”. Para ele o pior é a lei, pois “a polícia faz o trabalho dela”. “Na saúde eu mesmo estou esperando uma consulta. Eu esperei quatro meses. Aí, quando fui lá, remarcaram para novembro. Vai saber se, quando chegar novembro, vai estar atendendo”. “Não podemos mais ir a uma delegacia fazer uma queixa de alguma coisa, porque não se sabe com quem está falando. Vemos todo dia, por exemplo, polícia, delegado preso”.
Josimar Correio de Souza, 47 anos, Açougueiro
“Acho que a saúde em Campo Grande está pior”, apontou Josimar ao falar sobre o que considera prioridade na escolha de um candidato. Ele conta que já enfrentou dificuldades para conseguir atendimento e medicamentos. “O medicamento está bem regrado. Antes tinha mais”, disse. Sobre segurança, Josimar, que é de Amambai, percebe melhora na fronteira. “Principalmente os casos de homicídio e coisas que aconteciam antes estão acontecendo bem menos”. Ele também cita Ponta Porã e afirma que houve redução nos casos de roubos de veículos e comércios.
Nilson Junior, 38 anos, comerciante
“Aqui na área central o que prezamos mais é a segurança. Vimos que, de uns quatro anos para cá, realmente o Centro da cidade tem essa deficiência muito grande da segurança pública. A gente vê esses andarilhos que estavam ali na Rodoviária velha, agora que estão reformando lá, eles subiram mais para o Centro da cidade”, ele cita ainda temas sociais, educacionais e saúde, mas ressalta. “Mas segurança é o que a gente precisa para ter o Centro da cidade de volta. Muita gente está fechando, procurando outros meios, procurando outras galerias ou até mesmo os bairros”.
João Batista da Silva, 63 anos
Ao falar sobre o que espera dos candidatos nas eleições, o João apontou a infraestrutura como uma das principais necessidades. “Acho que todo lugar precisa de alguma coisa. Como a gente mora aqui, acho que precisa de alguém que olhe pela estrutura da cidade. Com certeza, porque o resto também depende do país.” Para ele, porém, os problemas vão além das demandas de Campo Grande. “Para dizer a verdade, está tudo escancarado para todo mundo ver. Um país onde não tem credibilidade no Judiciário, você vai esperar o quê? Nada. Vamos virar uma venezuela daqui um tempo”.
André Corrêa, 30 anos, comerciante
“Os governantes têm que falar mais sobre os impostos, abaixar para a classe média”, defendeu. Para ele, os tributos pesam no dia a dia de quem trabalha e mantém um negócio. “O IPTU é muito caro, o IPVA é caro também. Se abaixasse mais seria melhor”. André que tem um comércio na Barão do Rio Branco com a 13 de Maio também reclama que o valor cobrado não retorna na mesma proporção em serviços. “Porque paga tanto e não tem qualidade de asfalto, qualidade de funcionamento, qualidade de um monte de coisa”.
Celso Henrique, 54 anos, comerciante
“Segurança, saúde... Isso aí é um clichê. É um clichê todo mundo falar. Não tem nada melhorando”, criticou. “O que está faltando é uma reforma tributária mais justa. Na hora da compra, está tudo embutido. A cesta básica baixou, mas você não vê que baixou. Tinha que ser um imposto justo, um imposto único para o Brasil inteiro. O Brasil é um só. Por que em uma região é um valor e em outra é outro?”, questionou. Ele também relacionou os impostos à perda do poder de compra e à saída de empresas do país. “Essa economia nossa está arrochada”.