Na reta final da corrida presidencial, as equipes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) fecharam um acordo decisivo na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ficou estabelecido que ambos os candidatos disponibilizarão seus sigilos telefônico e bancário até às 23h59 desta quinta-feira (22).

A decisão foi firmada após a candidatura de Lula aceitar as exigências impostas por Flávio. Em contrapartida, a equipe do petista apresentou uma petição conjunta exigindo a inclusão de documentos vinculados à Alcazar Holdings, empresa pertencente a Willer Tomaz. Embora interlocutores da campanha do PL tenham tentado remover o trecho, a pressão prevaleceu e o documento acabou assinado em nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pedido referente à Alcazar Holdings foi entregue diretamente ao ministro André Mendonça, a quem caberá a solicitação formal dos dados, já que Flávio Bolsonaro não ostenta ligação oficial com a empresa. No que tange às contas pessoais dos presidenciáveis, de seus familiares e de suas empresas, a liberação ocorrerá de forma voluntária e simultânea em uma página pública na internet, com previsão de integração à plataforma DivulgaCand, do TSE.

Após o encontro, o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) destacou que Lula concordou com todas as condicionantes iniciais para garantir a transparência do processo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, relembrou que a proposta partiu do próprio petista durante o debate na Band TV e criticou os quatro dias de hesitação do adversário para aceitar o embate financeiro.

Do outro lado, a articulação bolsonarista garantiu o cumprimento integral do acerto, mas rebateu as críticas sobre a dinâmica da entrega. O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), indicado pela chapa do PL para auditar as informações do atual presidente, questionou o fato de Lula não ter entregue os papéis imediatamente. Segundo Dallagnol, o envio prévio de mais uma petição acabou gerando um trâmite desnecessário, embora a exigência anterior de sua equipe, de condicionar a abertura dos dados de Flávio à análise prévia dos documentos de Lula tenha sido totalmente descartada no acerto final.