A direção da Santa Casa de Campo Grande fez um alerta que pode influenciar no atendimento das demais unidades hospitalares da capital sul-mato-grossense: a crise financeira enfrentada pelo hospital começa a comprometer a aquisição de medicamentos, materiais cirúrgicos e órteses, próteses e materiais especiais. Essa situação pode gerar uma restrição de novos atendimentos caso o cenário atual se agrave.

O hospital preferiu não falar em datas ou prazos, mas garantiu que a prioridade tem sido garantir a assistência aos pacientes já internados, porém, reforçou que todos medicamentos e materiais estão ‘no limite’, e uma vez que eles estejam esgotados, haverá dificuldades para admissão de novos atendimentos.

Diretora-técnica da Santa Casa, Patrícia Berg, explicou que a situação é delicada e precisa que todos atuem em conjunto para achar uma solução ou resolver o imbróglio para, ao menos, aliviar a situação referente aos medicamentos e insumos.

“A situação é delicada, nós vamos oficializar novamente que nós estamos com uma redução do contingente desses materiais cirúrgicos, que talvez haja falta de alguns materiais, que a gente tem essa situação da compra dos insumos e medicamentos também. Esses ofícios serão emitidos, a gente vai comunicar novamente com a diretoria corporativa e a partir disso a gente oficializa os órgãos públicos”, declarou.

No entanto, Berg faz um alerta que devido a essa falta de materiais implica na assistência de novos pacientes. “Isso acaba impactando o número de pacientes que podem adentrar na instituição. Então, vai chegar um momento em que vai haver dificuldade desses pacientes chegarem, entrarem e serem atendidos na instituição. Isso a gente tem que avisar para a população, que pode acontecer esse momento”.

Patrícia revelou que a instituição mantém um comitê de crise que se reúne semanalmente para definir a compra de insumos considerados essenciais ao funcionamento do hospital. Ela afirmou que, diante da redução dos estoques, a Santa Casa passou a trabalhar praticamente com abastecimento semanal, sem conseguir manter a reserva considerada segura para um hospital de alta complexidade.

A médica explicou que, sempre que a capacidade de atendimento é comprometida, a direção técnica comunica oficialmente a Regulação, o Ministério Público, o Conselho Regional de Medicina e as secretarias de Saúde. Segundo ela, a continuidade da escassez poderá dificultar a entrada de novos pacientes, uma vez que a instituição precisa assegurar condições adequadas para quem já está sob seus cuidados.

O coordenador do pronto-socorro, Marcos Bonilha, afirmou que a unidade opera no limite da capacidade e enfrenta uma demanda crescente de pacientes em estado grave. Conforme ele, o setor mantém atualmente cerca de 100 pacientes, muitos deles permanecendo internados no próprio pronto-socorro por falta de vagas em outras unidades hospitalares.

Bonilha destacou que a área vermelha, projetada para receber entre seis e sete pacientes, frequentemente abriga mais de 20 pessoas em atendimento simultâneo. Segundo ele, o hospital precisou ampliar equipes médicas, de enfermagem e de apoio para manter a assistência, elevando ainda mais os custos operacionais.

Ainda conforme o diretor, além da superlotação, os pacientes chegam em condições clínicas mais complexas, exigindo internações mais longas e tratamentos mais caros, como o uso de antibióticos de gerações mais avançadas.

“A gente tem atendido todo mundo. O que tem acontecido é que a gente tem atendido o sobrecarregado. Mas a gente dá o atendimento a todos aqui da melhor maneira possível. A alocação, por exemplo, a gente pode dizer, e todo mundo sabe disso, que o paciente deveria estar na terapia intensiva e ele está dentro do pronto-socorro. A gente está cuidando dele da melhor forma possível, colocando equipe, colocando médico, colocando enfermagem. Mas esse paciente estaria alocado corretamente dentro da unidade de terapia intensiva.

Diante do agravamento da crise, a direção voltou a defender a necessidade de recomposição do financiamento da unidade e afirmou que a população precisa conhecer a realidade enfrentada pelo hospital, considerado referência em alta complexidade para Mato Grosso do Sul.