Saúde
Catarata não é consequência inevitável da idade e pode ser prevenida com cuidados simples
Durante o Agosto Cinza, especialistas alertam para fatores de risco, importância do acompanhamento oftalmológico e avanços no tratamento da doença
O envelhecimento é considerado o principal fator associado ao surgimento da catarata, mas a doença também pode estar relacionada a outros hábitos e condições presentes no dia a dia. Durante o Agosto Cinza, campanha de conscientização e prevenção da catarata, especialistas reforçam que cuidados simples podem ajudar a preservar a visão e evitar complicações futuras.
A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural dos olhos, perde gradualmente a transparência e se torna opaco. Com isso, a passagem da luz até a retina é prejudicada, dificultando a formação das imagens e comprometendo a qualidade da visão.
Segundo a oftalmologista Dra. Bruna Ventura, do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, a doença provoca uma sensação semelhante a enxergar através de um vidro sujo ou com neblina. “A catarata é consequência da perda gradual da transparência do cristalino, a lente natural do olho, que fica opaca e embaçada. Por causa da condição, a luz não chega em sua totalidade na retina, dificultando a formação da imagem”, explica.
Com a progressão da doença, tarefas comuns como ler, dirigir e reconhecer rostos podem se tornar mais difíceis. Apesar de o desgaste natural do organismo ser um dos principais fatores, a especialista destaca que a catarata não deve ser encarada como uma consequência obrigatória do envelhecimento.
“A prevenção da catarata é possível e começa no cotidiano. Hábitos de vida saudáveis, proteção contra raios solares e o acompanhamento médico regular desempenham um papel fundamental na preservação da visão”, afirma Dra. Bruna.
Além da idade, outros fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença, como traumas nos olhos, uso prolongado de corticoides, diabetes sem controle adequado e exposição excessiva aos raios solares. Também existe a catarata congênita, uma forma mais rara que pode estar presente desde o nascimento e ter relação com alterações genéticas, distúrbios metabólicos ou infecções durante a gestação.
## Cirurgia é o único tratamento eficaz
Quando a catarata passa a comprometer a qualidade de vida do paciente, a cirurgia é o único tratamento capaz de recuperar a visão prejudicada pela doença. O procedimento consiste na retirada do cristalino opaco e na implantação de uma lente intraocular.
De acordo com Dra. Bruna Ventura, a cirurgia é considerada segura, rápida e apresenta alta taxa de eficácia. “O procedimento dura em média de 10 a 20 minutos por olho e exige somente anestesia tópica, com colírio e solução anestésica”, explica.
As tecnologias atuais também permitem o uso de lentes que podem auxiliar na correção de outros problemas visuais, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.
Sem tratamento, a catarata pode evoluir para perda permanente da visão e tornar a cirurgia mais complexa quando realizada em estágios avançados. Apesar disso, a cegueira causada pela doença é reversível por meio do procedimento cirúrgico.
No primeiro semestre de 2026, 52% das cirurgias realizadas no HOPE estiveram relacionadas ao tratamento da catarata, mostrando a alta frequência da doença entre os pacientes atendidos.
Durante o Agosto Cinza, a recomendação é manter consultas oftalmológicas periódicas, especialmente a partir dos 50 anos, ou procurar atendimento ao perceber sinais como visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite e sensibilidade exagerada à luz. O diagnóstico precoce pode ser decisivo para preservar a saúde dos olhos.