A circulação do sarampo em outras regiões do país reforça um cuidado que começa em casa: manter a vacinação em dia. Embora Mato Grosso do Sul não tenha transmissão ativa da doença no momento, a presença de casos em outros estados exige atenção, principalmente por causa da facilidade com que o vírus se espalha. Até 18 de julho de 2026, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) havia registrado 14 casos suspeitos no Estado, sendo 11 descartados e três ainda investigados.

Para o infectologista Alexandre Bertucci, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS/HU Brasil), o cenário não é motivo para pânico, mas serve como um alerta para que a população confira a situação vacinal. “A vacina, além de ser uma medida de proteção individual, também tem um papel muito importante como medida de prevenção coletiva”, destaca.

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível e pode passar de uma pessoa para outra pelo ar, por meio de tosse, espirro, fala ou até mesmo da respiração. Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas não vacinadas. A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, oferecida gratuitamente pelo SUS e que também protege contra caxumba e rubéola. A primeira dose é indicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Para quem tem entre 5 e 29 anos e não completou o esquema, são recomendadas duas doses. Entre 30 e 59 anos, a indicação é de pelo menos uma dose para quem não foi vacinado anteriormente.

Os primeiros sintomas costumam surgir entre sete e 21 dias após o contato com o vírus. Febre alta, geralmente acima de 38,5°C, tosse seca, coriza e conjuntivite estão entre os sinais mais comuns. Depois, aparecem as manchas avermelhadas, que normalmente começam no rosto e na cabeça e se espalham pelo corpo. Também podem surgir pequenas manchas brancas no interior da boca, conhecidas como manchas de Koplik. Ao apresentar sintomas suspeitos, a orientação é procurar atendimento e informar à equipe de saúde sobre a possibilidade de sarampo, além de relatar o início dos sintomas, viagens recentes ou contato com pessoas doentes.

O médico ressalta ainda que a doença pode evoluir para complicações, principalmente em crianças pequenas, gestantes, pessoas desnutridas e pacientes com imunidade comprometida. Pneumonia, otite, desidratação e encefalite estão entre os problemas que podem ocorrer nos casos mais graves. A vacina, no entanto, não é indicada para todos: gestantes e algumas pessoas imunossuprimidas, como determinados transplantados, precisam de avaliação médica antes da imunização.

A preocupação em Mato Grosso do Sul também está relacionada à circulação de pessoas entre diferentes estados e à extensa fronteira internacional. Para Bertucci, um viajante infectado durante o período de transmissão pode levar o vírus para locais onde ainda existem pessoas suscetíveis. Por isso, a recomendação é simples, mas importante: conferir a caderneta, manter as vacinas atualizadas e procurar atendimento diante de sintomas suspeitos. “O surgimento dos casos, em qualquer região do país, acende um alerta para a gente conferir a situação vacinal das pessoas e aumentar a nossa vigilância”, conclui o infectologista.