Saúde
Infarto pode deixar consequências emocionais além dos danos ao coração
No 'Setembro Vermelho', especialista do Humap-UFMS destaca importância do tratamento e do acompanhamento
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortes no Brasil, com aproximadamente 400 mil óbitos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O cenário reforça a importância do Setembro Vermelho, campanha nacional voltada à conscientização e prevenção desses problemas.
A SBC estima que cerca de 14 milhões de brasileiros convivam com algum tipo de doença cardiovascular, sendo o infarto uma das principais causas de morte entre esses pacientes. Para o cardiologista Délcio Gonçalves da Silva Junior, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), porém, os impactos da doença vão muito além dos casos que terminam em morte.
“Para cada paciente que morre, existe um contingente muito maior de pessoas que sobrevivem ao evento cardiovascular e passam a conviver com suas consequências físicas, emocionais, sociais e econômicas”, explica o médico.
O especialista destaca que o infarto costuma acontecer de maneira abrupta e aguda, interrompendo atividades profissionais, sociais, físicas e até mesmo a rotina familiar. Depois do episódio, é comum que o paciente desenvolva ansiedade e medo de sofrer uma nova crise, passando a enxergar atividades cotidianas, como subir escadas, viajar, trabalhar ou praticar exercícios, como possíveis ameaças.
Segundo Délcio, o acompanhamento adequado é fundamental para que o paciente recupere a confiança e retome gradualmente sua vida. Além dos medicamentos e procedimentos realizados durante a internação, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e fisioterapia, com foco na recuperação física, da autoestima e da segurança.
“É muito importante uma boa relação médico-paciente, em que a transparência, franqueza e empatia, além do tratamento adequado, são a chave da confiança no que o paciente deve fazer e passar após o evento e a alta”, afirma.
Com o tratamento adequado e orientação sobre prevenção, o retorno à rotina tende a ocorrer de forma mais segura. “Um paciente adequadamente tratado na fase hospitalar e bem orientado nas suas tarefas de prevenção tem grande segurança e baixos índices de recorrências, na maioria das vezes. Se isso for passado ao paciente, ele volta a sua vida rapidamente, e se cuidando melhor que antes do evento”, ressalta o cardiologista.