Saúde
Quase 400 sul-mato-grossenses já registraram intenção de doar órgãos em cartório
Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos é gratuita e pode ser feita pela internet; no Brasil, mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante
Quase 400 sul-mato-grossenses já formalizaram a intenção de doar órgãos por meio dos Cartórios de Notas desde a criação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), em 2024. O serviço permite que o cidadão registre oficialmente sua vontade de ser doador e ganha destaque neste sábado (27), quando é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos.
Dados dos Cartórios de Notas apontam que 380 solicitações de AEDO já foram feitas em Mato Grosso do Sul. Desse total, 275 ocorreram em 2024, 76 em 2025 e outras 29 em 2026, conforme os dados mais recentes da plataforma.
A ferramenta já recebeu solicitações em todos os estados brasileiros. São Paulo concentra o maior número de registros, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná, com 3.818; Rio de Janeiro, com 2.930; Minas Gerais, com 2.172; e Rio Grande do Sul, com 2.012.
A iniciativa ocorre em um momento de alta demanda por transplantes no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados neste mês indicam que mais de 49 mil pessoas estão na fila por um transplante no Brasil. A maior parte aguarda por um rim, com cerca de 45 mil pacientes.
A fila por transplante de córnea também chama atenção. Segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), 37.719 pessoas aguardam pelo procedimento, número 15% superior ao registrado em dezembro de 2025.
Família ainda tem papel decisivo
Um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes é a autorização da família. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância dos familiares, mesmo quando a pessoa deixou registrada em vida a intenção de ser doadora.
A taxa média de recusa familiar está próxima de 45%. Entre os fatores apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador e dúvidas ou receios dos familiares em relação ao procedimento. Nesse cenário, o registro formal da decisão pode ajudar a tornar conhecida a vontade do possível doador.
“A principal contribuição da AEDO é permitir que uma intenção muitas vezes expressada apenas verbalmente fique documentada. Em Mato Grosso do Sul, cada nova autorização também funciona como um convite para que o tema seja discutido de maneira clara entre o potencial doador e sua família”, afirma Elder Dutra, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (CNB/MS).
Como registrar a intenção de doar
A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos é gratuita e pode ser feita totalmente pela internet, sem a necessidade de comparecer presencialmente a um Cartório de Notas. Para realizar o procedimento, o interessado deve acessar a plataforma AEDO, disponível no e-Notariado, preencher os dados solicitados e escolher um Cartório de Notas.
Depois, é realizada uma videoconferência com o tabelião para confirmar a identidade e a vontade do cidadão. O documento é então assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.
O cidadão também pode especificar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar. A autorização pode ser revogada a qualquer momento.
Apesar do registro eletrônico, a conversa com os familiares continua sendo considerada fundamental. Isso porque a legislação brasileira mantém a necessidade de autorização familiar para a efetivação da doação após a morte.
A AEDO foi criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).