A polêmica Cannabis... outra vez
Não é de hoje que a proibição da maconha (Cannabis sativa) é tema de polêmica e discussões acaloradas. Mais recentemente uma entrevista concedida pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso trouxe de volta o tema. Muitos a favor e outros tantos contrários à liberação e descriminalização da erva se colocaram a postos, mais uma vez, para discutir o assunto.
Aqueles que apoiam a liberação encontram argumentos em números e pesquisas feitas em países europeus que adotaram a liberação do uso de entorpecentes cosiderados leves, no caso, a maconha. Eliminar a figura do traficante, reduzir o índice de crimes, tornar o uso mais seguro para os usuários são argumentos usados pelos defensores da liberação.
Amsterdã, na Holanda, foi um dos primeiros países a liberar e tolerar o uso da maconha e algumas drogas sintéticas. Em um primeiro momento houve um crescimento vertiginoso do consumo, que logo começou a cair. Hoje, a maconha é vendida em pequenas porções – 30 gramas, no máximo – a pessoas que frequentam bares credenciados pelas autoridades competentes para vender a erva. Nos cardápios de coffeeshops é possível encontrar vários tipos e origens, porém, o consumo deve ser feito no interior do café. Fumar na rua, mesmo em Amsterdã, é ilegal e pode acabar em prisão. Também é preciso lembrar que em vários países o princípio ativo da cannabis é usado como tratamento terapêutico em casos graves de câncer e outras doenças.
Ativistas a favor, sociedade organizada, poderes constituídos e aqueles que defendem a não liberação devem se debruçar sobre o assunto mais uma vez e mais profundamente. Liberar ou não a maconha no Brasil, seja por esse ou aquele motivo, não é algo simples. Somos um povo com graves problemas educacionais, cujos jovens cursam o ensino médio sem ao menos serem devidamente alfabetizados e a segurança pública dá provas inequívocas de sua ineficácia diariamente. Sem educação e segurança, a guerra contra o tráfico, que por muitos é tida como perdida, ficaria totalmente fora de controle.
A “Marcha da Maconha” realizada na avenida Paulista, em São Paulo, e reprimida pela polícia paulistana é o maior indício de que o assunto deve ser abordado com cautela. A livre expressão e a apologia ao crime são separadas por uma linha tênue. E mesmo agora, com a anuência do STF (Supremo Tribunal Federal), por unanimidade, para a realização de manifestos de liberdade em que vários outros temas serão abordados, faz-se necessária uma ampla discussão sobre o assunto.
O tráfico de drogas é um mal que assola o mundo inteiro.Traficantes e viciados são encontrados em qualquer parte do globo, mesmo nos lugares mais longínquos e isolados. Fazer uso de produtos entorpecentes é uma prática adotada pelo homem desde o começo dos tempos. Sendo assim, a questão requer a adoção de medidas urgentes e eficazes capazes de minimizar a questão e colocar de vez um ponto final em um assunto tão polêmico que vem se arrastando há décadas e que, pelo visto, ainda irá demorar algum tempo para se tornar consenso.