Organizações criminosas
Facções avançam para além do tráfico e exigem atenção do Estado, avalia oficial da PM
Análise aponta integração, inteligência e investigação como caminhos para fortalecer a segurança
Um oficial da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS), que terá a identidade preservada, avaliou ao JD1 Notícias os desafios enfrentados pelo Estado no combate às facções criminosas e defendeu uma atuação permanente e integrada das instituições de segurança pública.
Segundo o policial, o momento exige atenção diante da sequência recente de homicídios, execuções e episódios associados à disputa entre organizações criminosas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Para o oficial, o crime organizado deixou de ser apenas uma questão relacionada ao tráfico de drogas e passou a envolver também disputa territorial, recrutamento de jovens, armas, lavagem de dinheiro, ameaças e violência organizada.
A situação, segundo ele, é ainda mais preocupante pela posição estratégica de Mato Grosso do Sul na fronteira e pelas conexões internacionais dessas organizações. Na avaliação do policial, o problema ultrapassa a capacidade de uma única instituição e exige integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério Público, Judiciário e órgãos de inteligência.
Ao mesmo tempo, o oficial reconhece que o Estado possui investimentos, tecnologia, operações e resultados positivos em diversos indicadores. Para ele, a questão central não é afirmar que nada está sendo feito, mas avaliar se a resposta pública está evoluindo na mesma velocidade que o crime organizado.
Ele expõe que o efetivo das forças de segurança também merece atenção, segundo o policial. Ele aponta que aposentadorias e déficit de pessoal aumentam a pressão sobre os profissionais que atuam nas ruas.
Na avaliação do oficial, os policiais precisam de efetivo adequado, equipamentos, treinamento, estrutura, remuneração compatível e condições dignas de trabalho. “Não é razoável exigir que o policial resolva sozinho problemas que envolvem toda a estrutura do Estado”, avaliou.
Combate ao dinheiro das facções
Outro ponto destacado pelo oficial é o combate financeiro às organizações criminosas. Para ele, além da prisão dos executores, é necessário atingir a estrutura econômica das facções.
A avaliação inclui o bloqueio de patrimônio, o desmonte de empresas de fachada, o rastreamento de recursos e o alcance aos financiadores. Segundo o policial, essas medidas podem causar danos maiores às organizações criminosas.
Sistema penitenciário
O sistema penitenciário também foi apontado como uma questão fundamental. Para o oficial, lideranças criminosas não podem comandar atividades externas a partir das prisões.
Ele também defende que cada homicídio receba investigação prioritária, com metas de esclarecimento e transparência sobre o caminho entre o crime, a investigação, a denúncia e o julgamento.
Na avaliação do policial, a resposta ao crime organizado deve passar por uma política permanente de Estado, com mais inteligência, efetivo adequado, investigação, tecnologia, valorização policial, controle penitenciário, combate financeiro às facções, prevenção ao recrutamento de jovens e integração entre as instituições.
“Mato Grosso do Sul não pode esperar a próxima execução para agir. O crime organizado planeja o futuro. O Estado também precisa planejar”, afirmou o oficial.
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