Disputa de Território
Guerra entre PCC e CV testa capacidade do Estado de proteger a população, avalia oficial da PM
Policial com anos de atuação em Mato Grosso do Sul afirma que o enfrentamento ao crime organizado exige ações permanentes e coordenadas
"A guerra entre PCC e Comando Vermelho não é apenas uma disputa entre criminosos. Ela representa um teste para a capacidade do Estado de proteger seus cidadãos." A avaliação foi feita ao JD1 Notícias por um oficial da PMMS - Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, que analisou os desafios enfrentados no combate às facções criminosas.
Segundo o oficial, "O Governo do Estado tem investido em operações policiais, inteligência e integração entre as forças de segurança. Esses esforços são importantes, mas os resultados percebidos pela população ainda geram preocupação".
Na avaliação da fonte, quando homicídios relacionados às facções se repetem em sequência, cresce a sensação de que o Estado está reagindo aos fatos, em vez de conseguir antecipá-los e preveni-los.
O policial ressalta que o Estado possui profissionais preparados, mas defende uma avaliação permanente da gestão da segurança pública. "O Estado tem seus policiais altamente capacitados e que frequentemente colocam suas vidas em risco, mas a gestão da segurança pública precisa ser constantemente avaliada. Inteligência policial, planejamento estratégico, integração entre as instituições e combate ao patrimônio financeiro das facções devem ser prioridades permanentes."
Com anos de atuação em Mato Grosso do Sul, a fonte afirma que "A população espera não apenas grandes operações após crimes de repercussão, mas ações contínuas capazes de enfraquecer essas organizações antes que elas promovam novas mortes".
Ao abordar a sequência de homicídios, o oficial pondera que "Embora os criminosos sejam os únicos responsáveis pelos assassinatos e demais crimes que praticam, é legítimo questionar se o poder público está conseguindo agir de forma suficientemente eficaz para impedir que essas organizações ampliem seu domínio".
Outro ponto destacado pelo policial é a atuação do Poder Judiciário. Segundo ele, "O Judiciário tem o dever de aplicar a lei com imparcialidade e garantir o devido processo legal. Ao mesmo tempo, a sociedade espera que criminosos de alta periculosidade recebam respostas rápidas e efetivas dentro dos limites da legislação".
A fonte também aborda o sistema prisional, que, em sua visão, "precisa impedir que presídios sejam utilizados como centros de comando das facções, pois a prisão não pode servir para fortalecer organizações criminosas".
Apesar das críticas, o oficial avalia que "seria injusto atribuir toda a responsabilidade apenas ao governo, à polícia ou ao Judiciário. Mato Grosso do Sul possui uma das maiores fronteiras do país, utilizada pelo tráfico internacional de drogas e armas, o que torna o enfrentamento ao crime organizado especialmente complexo. Além disso, fatores sociais, econômicos e o recrutamento de jovens por organizações criminosas também alimentam esse ciclo de violência".
Para ele, o momento exige ações concretas. "A sociedade espera investimentos permanentes em inteligência, tecnologia, efetivo policial, valorização dos profissionais de segurança, fortalecimento do sistema prisional, cooperação com órgãos federais e internacionais e políticas públicas que reduzam o espaço de atuação das facções."
Na avaliação do oficial, a guerra entre facções e a disputa por território intimidam a sociedade. "Ela representa um teste para a capacidade do Estado de proteger seus cidadãos. Quanto mais tempo essas organizações conseguem impor medo e disputar território, maior é a percepção de que o poder público precisa aperfeiçoar suas estratégias."
Por fim, a fonte afirma que "A população sul-mato-grossense merece viver em um ambiente onde o Estado seja mais forte do que qualquer organização criminosa, e esse deve ser um compromisso permanente de todos os poderes públicos".
JD1 No Celular
Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.