O advogado Wilian Frata, que atua na defesa de Kauan Henrique Oliveira dos Santos, de 18 anos, informou que pediu à Justiça a revogação do mandado de prisão expedido contra o cliente.

Kauan é apontado pela Polícia Civil como suspeito de ser o mandante da execução de Matheus Luiz de Castro Vasconcelos, de 22 anos, que seria agiota. O crime ocorreu na última quarta-feira (22), em um endereço no bairro Novos Estados, em Campo Grande.

Segundo o advogado, Kauan Henrique pretendia se apresentar nesta segunda-feira (27) para prestar sua versão dos fatos. No entanto, diante da decretação da prisão, a defesa afirmou que precisou mudar a estratégia.

Três investigados estão com mandados de prisão expedidos pela Justiça e são considerados foragidos. Além de Kauan Henrique, também são alvos Luiz Henrique Quadro dos Santos, de 22 anos, e Renan Alencar Gutierres, de 20 anos. 

As prisões foram determinadas após pedido da Polícia Civil no curso da investigação, com parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e decisão do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Frata afirmou que os elementos reunidos pela investigação são frágeis em relação ao cliente e voltou a negar qualquer participação de Kauan Henrique como mandante do crime, conforme apontado pela Polícia Civil.

"É, na verdade tem uma investigação em andamento, mas falar para você que já tem prova que foi ele que mandou, não existe uma prova", disse o advogado, que afirmou ter acesso ao inquérito policial.

Ainda segundo a defesa, o pedido de revogação da prisão sustenta que não há elementos suficientes para justificar a medida. "Então nós estamos provando isso para o juiz, para ele entender que é muito precoce mandar de prisão para uma pessoa que ainda não tem prova suficiente para isso, de autoria não tem mesmo. Se tivesse a gente aconselharia ele até se entregar, mas não tem, entendeu", explicou o advogado ao JD1.

O advogado também afirmou que Kauan Henrique tem interesse em prestar esclarecimentos. "Ele ia se apresentar... ele ia dar a versão dele... ia prestar a oitiva dele... só que ele começou a receber muita ligação."

Segundo Frata, familiares do investigado também passaram a receber ligações,  "Ele ficou com muito receio de se apresentar", afirmou o advogado. Diante da expedição do mandado de prisão, segundo ele, "a gente mudou a estratégia".

A defesa negou que Kauan Henrique tenha fugido,  "Na verdade não foi fuga. Na verdade... Ele estava com medo das represálias familiares (da vítima), mas não foi fuga."

O advogado também afirmou que seu cliente "possui o absoluto e inabalável interesse em se apresentar à Justiça e prestar todos os esclarecimentos necessários acerca dos fatos investigados". "Se não o fez anteriormente, deve-se exclusivamente ao pavor e às graves ameaças sofridas, colocando sua integridade física em risco", disse.

Enquanto aguarda a análise do pedido de revogação do mandado de prisão, o advogado questionou a medida. "Ora, indaga-se: como o investigado vai se apresentar espontaneamente sabendo da existência de um mandado de prisão expedido se sequer foi preso em flagrante delito?"

Casa do suspeito teria sido invadida, diz defesa

Segundo o advogado, Kauan Henrique teve a casa onde morava, no bairro Taquaral Bosque, invadida. O imóvel estava alugado em nome da vítima fatal, mas, de acordo com a defesa, quem residia no local era Kauan. "Entraram na casa dele e levaram tudo. Tudo, tudo. Deixaram a casa dele sem nada. Levaram todos os móveis, todos os pertences dele e da esposa. Até o cachorro dele levaram embora", afirmou o advogado.

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