Calças jeans antigas, uniformes sem uso e pedaços de tecidos que poderiam terminar no lixo ganham uma nova função nas mãos de mulheres que encontraram na costura uma oportunidade de aprendizado e geração de renda. Em uma sala de aula no bairro Coophavila, em Campo Grande, os materiais descartados se transformam em bolsas, coletes, acessórios e peças de decoração. Mais do que ensinar uma técnica, o projeto abre caminhos para novas possibilidades de trabalho, criatividade e inclusão produtiva.

A iniciativa faz parte do Envolva-se, programa de valorização social do Sesc MS, desenvolvido em parceria com instituições atendidas pelo Sesc Mesa Brasil. As oficinas ensinam o upcycling, técnica que transforma materiais que seriam descartados em novos produtos, prolongando sua vida útil e agregando valor às peças.

Durante as atividades, os participantes aprendem a identificar possibilidades nos tecidos, fazer marcações, recortar, costurar e dar acabamento às criações. Jeans, moletom, camisas e uniformes ganham novos formatos, mostrando que reaproveitar também pode significar empreender.

Para Sirlene Oliveira, de 44 anos, a oportunidade chegou depois de uma vontade antiga de aprender a costurar. Em tratamento contra o câncer, ela encontrou nas atividades uma forma de manter a mente ocupada, aliviar o peso da rotina de cuidados e estimular a criatividade.

“É uma coisa que eu queria há muito tempo, desde criança. Surgiu essa oportunidade e está sendo maravilhoso. Aprendi muito, já estou fazendo consertos, já fiz vestido, estou fazendo bastante tapete e bolsas”, conta.

Ela ainda destaca como a costura contribui para enfrentar os desafios do tratamento. “É uma terapia maravilhosa. Para mim, que faço tratamento, é muito bom, porque você não fica naquela rotina só em casa, sem fazer nada", relata.

Costura como oportunidade de renda

A instrutora, Ivani Grance, explica que o projeto tem como principal objetivo a inclusão produtiva e a possibilidade de geração de renda. Segundo ela, a proposta é ensinar técnicas de reaproveitamento que permitam aos participantes produzir e comercializar suas próprias peças.

“Não é voltado para terapia, embora seja um pouco terapêutico. A gente sempre traz pensando na geração de renda e na inclusão produtiva. Às vezes, a pessoa já está numa idade em que o mercado formal não tem mais espaço para ela, mas pode produzir seu material e vender na própria comunidade, onde circula. É uma possibilidade de ter uma renda contínua”, explica.

O trabalho também envolve a transformação de materiais doados por empresas e parceiros. Uniformes, tecidos e roupas que seriam descartados passam por um processo de desmontagem e reconstrução, dando origem a produtos com novas funções.

Além das possibilidades de renda, as oficinas também proporcionam troca de experiências e convivência. A aposentada Maria Zilda participa das atividades há pouco mais de um mês e já comemora as primeiras produções.

“Estou adorando o curso, porque beneficia a todos, pelo conhecimento e também pelo relacionamento que a gente faz. É muito bom conhecer pessoas diferentes e ver todo mundo se empenhando para aprender”, afirma.

A instrutora conta que as turmas são organizadas a partir de parcerias com instituições sociais. O Sesc identifica os locais interessados e as condições necessárias para receber as atividades. A cada ciclo, novas instituições podem integrar a iniciativa, levando oportunidades de aprendizado a diferentes comunidades.

Doações ajudam a manter o projeto

Para continuar transformando tecidos em oportunidades, o projeto também precisa da colaboração da comunidade. O Sesc Mesa Brasil recebe doações de peças jeans, uniformes e outros tecidos, desde que estejam em boas condições e devidamente higienizados.

Quem quiser contribuir pode entrar em contato pelo telefone (67) 99950-4025, do Sesc Mesa Brasil.

Novas turmas estão previstas para o próximo ano, conforme o mapeamento das instituições parceiras. As informações sobre oportunidades de participação serão divulgadas nos canais oficiais do Sesc MS.