O nome do deputado estadual Cezinha de Madureira (DEM-SP) foi incluído na lista propinas supostamente pagas pelos executivos das empresas da J&F Investimentos (dona da JBS) a políticos nas eleições de 2014 em forma de doações oficiais por causa de R$ 16.

Os valores vão de dezenas de milhões a poucas dezenas de reais. O maior valor presente no "listão da propina" entregue à PGR (Procuradoria Geral da República) pelos irmãos Batista é de R$ 78,3 milhões, para a campanha à Presidência da República de Dilma Rousseff, do PT. Já o menor valor naquele ano é de R$ 16, para a campanha do deputado estadual Cezinha de Madureira (DEM-SP). Ambos foram eleitos e negam qualquer irregularidade.

Ao todo, o executivo Ricardo Saud entregou aos procuradores uma lista com 1.829 políticos de 28 partidos, que teriam recebido R$ 388 milhões de propinas em forma de doações oficiais de campanha. Os partidos que mais receberam dinheiro da JBS foram o PT, com R$ 141 milhões; o PSDB, com R$ 55 milhões; e o PMDB com R$ 40 milhões. Os valores foram declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Chama a atenção o baixo valor de algumas doações no listão da JBS. Foram 230 doações de até R$ 1.000. Destas, 133 foram abaixo dos R$ 500, e 21 delas ficaram abaixo dos R$ 100. É o caso do deputado Cezinha da Madureira, vice-líder do governo Alckmin na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), que entrou na lista da JBS com R$ 16.

"Estou indignado", afirma o deputado sobre o caso. "Nunca estive com nenhum representante do grupo JBS", explica o parlamentar por e-mail sobre a doação. "O grupo doou ao partido, que usou R$ 16,22 para confeccionar material gráfico para minha campanha e de outros candidatos. É apenas por esta razão que os R$ 16 constam da minha prestação de contas."

"A doação do partido foi declarada, não se trata de nenhuma espécie de propina ou caixa dois, até mesmo porque este é meu primeiro cargo público. Minha prestação de contas foi aprovada pela Justiça Eleitoral", diz Cezinha. 

"Se por um lado estou indignado com a inclusão do meu nome na lista, por outro estou seguro porque confio no Ministério Publico e sei que o órgão saberá separar a verdade da mentira", afirma. Ao todo, a campanha de Cezinha custou R$ 210.435,80.

O caminho do dinheiro

Os R$ 16 de Cezinha foram uma doação presumida --que é quando um partido ou candidato lança como doação um benefício com valor estimado a alguma campanha sem chegar a transferir o dinheiro-- da campanha do deputado federal Goulart. . Goulart mandou imprimir santinhos onde aparecia junto a Cezinha. Os dois apoiavam-se mutuamente. O deputado federal também está relacionado no "listão" da JBS, com uma suposta propina de R$ 200 mil em doação oficial.

Na prestação de contas de sua campanha ao TSE, é possível constatar que a JBS doou os R$ 200 mil para o PSD de São Paulo, que por sua vez doou o dinheiro para a campanha de Goulart. Procurado pela reportagem para explicar  a situação, por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado federal diz que recebeu a doação do diretório do PSD via cheque nominal e que a Justiça Eleitoral aprovou suas contas naquele ano. A campanha dele  declarou uma arrecadação de R$ 947.085,42 no pleito de 2014.