Brasil
Defesa de Flávio Bolsonaro pede ao TSE que acione PF para investigar filiação ao Missão
Defesa afirma que senador foi incluído no partido sem autorização e quer restabelecer vínculo com o PL para garantir registro da candidatura à Presidência
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu nesta quinta-feira (13) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que acione a Polícia Federal (PF) para investigar uma suposta fraude na filiação partidária do parlamentar. O caso ocorre a dois dias do fim do prazo para o registro de candidaturas e, segundo os advogados, impede neste momento que Flávio registre sua candidatura à Presidência da República.
Na petição apresentada à Corte Eleitoral, a defesa afirma que o senador constava como filiado ao PL até a noite de quarta-feira (12). Uma consulta realizada na manhã desta quinta, porém, apontou que ele havia sido transferido para o Partido Missão sem que tivesse autorizado a mudança.
Os advogados sustentam que a alteração contraria uma resolução do próprio TSE, que exige manifestação expressa do eleitor para efetivar a desfiliação de uma legenda e a filiação a outra.
A defesa chama atenção para o intervalo em que a mudança teria ocorrido. Segundo a petição, Flávio ainda aparecia no PL às 23h17 de quarta-feira e já constava como integrante do Missão às 9h42 desta quinta.
“[...] alguém, sem qualquer manifestação de vontade de Flávio Bolsonaro, inseriu no sistema oficial da Justiça Eleitoral um registro de filiação a partido diverso”, afirma o documento.
Os advogados também pedem que a Justiça Eleitoral determine o cancelamento da filiação ao Missão e restabeleça o vínculo de Flávio com o PL. Com isso, a defesa pretende garantir que o senador possa registrar sua candidatura presidencial no Sistema Candex dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral.
A petição é assinada pela advogada Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro, que chefia a equipe jurídica de Flávio. Ela foi ministra substituta do TSE nas eleições de 2022, após indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio deixou o antigo PSL e ingressou no Partido Liberal em 30 de novembro de 2021. O PSL posteriormente se fundiu ao DEM, dando origem ao atual União Brasil.
O Partido Missão publicou um anota oficial em suas redes sociais.
Já Fávio Bolsonaro se pronunciou por meio de um vídeo, também divulgado em suas redes sociais.
TSE descarta ataque hacker
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o TSE afirmou que a alteração não foi resultado de um ataque hacker. Segundo a Corte, a filiação ao Missão foi realizada por alguém que utilizou credenciais vinculadas ao próprio partido.
A explicação do tribunal diverge da versão apresentada pelo Missão, partido do presidenciável Renan Santos. A legenda afirma ter identificado a filiação considerada irregular em 2 de agosto e diz que comunicou o fato à campanha de Flávio por e-mail, sem receber resposta às tentativas de contato.
O partido também afirma que tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas que o pedido não foi aceito pela Justiça Eleitoral.
Agora, a defesa de Flávio quer que a PF investigue quem realizou a alteração no sistema e em quais circunstâncias o registro foi incluído. A equipe jurídica também sustenta que a própria resolução do TSE prevê responsabilização criminal em casos de uso irregular do sistema eleitoral.
O impasse ocorre na reta final do prazo para registro das candidaturas e coloca a situação partidária de Flávio Bolsonaro sob análise da Justiça Eleitoral.