Levantamento
Demanda judicial contra o crime organizado dispara 143% em cinco anos
Painel do CNJ reúne dados sobre ações penais, recursos e outros processos envolvendo organizações criminosas, milícias e associações
O número de novos processos relacionados ao crime organizado aumentou 143% nos últimos cinco anos, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No primeiro semestre de 2026, o Judiciário brasileiro julgou 1.743 ações penais, 11.536 recursos e 507 outras ações relacionadas a organizações criminosas, totalizando 13.786 julgamentos.
Os dados foram extraídos do Painel Nacional do Crime Organizado, do CNJ, que também demonstra que, no primeiro semestre, a Justiça brasileira recebeu 1.533 ações penais, 10.433 recursos e 4.232 outras ações.
A ferramenta disponibiliza informações detalhadas sobre ações judiciais envolvendo organizações criminosas, milícias e outras associações. A consulta pode ser refinada por oito filtros: ano, natureza, ação penal, ramo, tribunal, grau, município, estado e órgão julgador.
Com dados quantitativos, o painel tem o objetivo de mapear informações para buscar maior celeridade na atuação do Judiciário no enfrentamento ao crime organizado, transformando dados antes dispersos em conhecimento estratégico.
A sistematização das informações permite conhecer, por exemplo, a quantidade de processos relacionados ao crime organizado, identificar os chamados maxiprocessos — que envolvem grande número de réus, advogados e testemunhas — e acompanhar situações que podem comprometer a efetividade da prestação jurisdicional, como processos que chegam à prescrição.
O painel também possibilita analisar dados sobre absolvições e condenações e comparar esses resultados com processos relativos a outros tipos de crimes.
Mais do que apresentar números, a ferramenta permite construir um diagnóstico sobre a resposta do Judiciário ao crime organizado. As informações quantitativas são complementadas por dados qualitativos obtidos pelo CNJ junto aos tribunais, especialistas acadêmicos e magistrados que atuam na área.
O juiz auxiliar da Presidência do Conselho, Glaucio Roberto Brittes de Araújo, destaca que o conjunto de informações permite identificar problemas comuns e, ao mesmo tempo, reconhecer particularidades de cada tribunal ou região.
“A partir desse diagnóstico, torna-se possível formular políticas judiciárias baseadas em evidências, compartilhar boas práticas e desenvolver soluções adequadas às diferentes realidades encontradas no país”, explica.
A necessidade de uma resposta mais estruturada é reforçada pelo crescimento da demanda judicial. O painel aponta um aumento de 143% no número de novos processos relacionados ao crime organizado nos últimos cinco anos.
O cruzamento desse crescimento com o volume de julgamentos aponta para um déficit crescente, que exige preparação do Judiciário para lidar com uma demanda cada vez maior.
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