“Cercado por indícios de corrupção”, diz Transparência Internacional sobre Moraes
Organização afirma que ministro representa “um risco institucional” e defende que ele seja afastado das funções
Vinícius Santos
Vinícius Santos
Ministros: Moraes, Mendonça, PGR Gonet e Fachin
A Transparência Internacional – Brasil divulgou, na sexta-feira (4), uma nota sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à crise do Caso Master. A manifestação ocorre após a divulgação de conversas de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcard, que está preso por crimes ligados ao sistema financeiro do país.
Em um dos pontos da nota, a organização defende o afastamento do ministro da Corte Suprema de Justiça. A Transparência Internacional afirma que “um juiz constitucional cercado por gravíssimos indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça já representa, por si só, um risco institucional em razão da natureza de suas condutas”.
A organização também defende que “o Brasil precisa priorizar a defesa de suas instituições e de seu regime democrático, neutralizando imediatamente essas ameaças”. Ainda segundo a nota, o ministro Alexandre de Moraes “deve ser afastado de suas funções para que as investigações possam ser conduzidas sem riscos de interferência e sem que a crise escale ao ponto de uma ruptura institucional”.
A Transparência Internacional também afirma que “toda a rede de autoridades potencialmente implicadas ou que esteja obstruindo os mecanismos constitucionais de responsabilização também deve ser afastada e investigada”.
Veja:
"Um juiz constitucional cercado por gravíssimos indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça já representa, por si só, um risco institucional em razão da natureza de suas condutas. Mas torna-se um elemento ainda mais desestabilizador pelas medidas que pode adotar em busca da impunidade. É nisso que o ministro Alexandre de Moraes se transformou diante das revelações que apontam para suas condutas com Daniel Vorcaro e, sobretudo, diante de sua retaliação autoritária, colocando o Supremo Tribunal Federal no caminho de uma crise institucional sem precedentes.
O Brasil precisa priorizar a defesa de suas instituições e de seu regime democrático, neutralizando imediatamente essas ameaças. O ministro Moraes deve ser afastado de suas funções para que as investigações possam ser conduzidas sem riscos de interferência e sem que a crise escale ao ponto de uma ruptura institucional. Da mesma forma, toda a rede de autoridades potencialmente implicadas ou que esteja obstruindo os mecanismos constitucionais de responsabilização também deve ser afastada e investigada.
Se as vias naturais de resolução estão sendo bloqueadas pelo procurador-geral da República e pelo presidente do Senado Federal, cabe aos plenários do Supremo Tribunal Federal e do Senado, bem como ao Conselho Superior do Ministério Público, desobstruir os mecanismos previstos pela Constituição para o enfrentamento dessa crise.
As investigações dos esquemas do Banco Master e de outros casos de grande complexidade exigem a atuação coordenada dos órgãos de investigação, persecução criminal e julgamento, cada qual dentro de sua competência constitucional. Somente assim é possível assegurar o devido processo legal, a ampla defesa e a solidez das futuras responsabilizações, evitando que nulidades ou interferências comprometam a busca por justiça, reparação e recuperação da confiança pública nas instituições.
Em um contexto de grave tensão institucional, intensa circulação de desinformação e crescente instrumentalização política das investigações, especialmente durante o período eleitoral, a máxima transparência dos procedimentos torna-se ainda mais necessária e deve ser tratada como prioridade por todas as autoridades envolvidas.
Já estão em pleno curso as mesmas táticas que, no passado, foram empregadas com sucesso para enterrar investigações que alcançaram os mais altos níveis do poder no Brasil: a disseminação massiva de desinformação, a manipulação do debate público e a divisão da sociedade, impedindo que ela se una em defesa de seus próprios interesses. O Brasil precisa resgatar as lições do passado e impedir que a corrupção sistêmica volte a operar seus mecanismos de impunidade.
O que está em risco agora é muito mais do que a destruição das investigações sobre o maior caso de corrupção financeira da história brasileira. O que está em jogo é um colapso institucional na mais alta instância do sistema de Justiça, com potencial para contaminar o processo eleitoral e favorecer sua captura por forças populistas e autoritárias, em diferentes níveis, valendo-se da indignação popular.
A sociedade e as instituições precisam agir com responsabilidade, firmeza e respeito à ordem constitucional para conter a escalada da crise e preservar a integridade do Estado Democrático de Direito."