Justiça
Pedido de Moraes para investigar Mendonça causa desconforto entre ministros do STF
Ala da Corte avalia que iniciativa ampliou crise interna e envolveu outros integrantes do Supremo na disputa entre os magistrados
Uma ala de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avalia com desconforto a tentativa de Alexandre de Moraes de abrir uma investigação contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade. Nos bastidores, magistrados entendem que a medida amplia a crise interna e acaba envolvendo toda a Corte na disputa entre os dois ministros.
Segundo integrantes do tribunal, Moraes teria tentado colocar no mesmo nível diferentes episódios revelados durante as investigações sobre o Banco Master. Para esse grupo, porém, as acusações feitas contra Mendonça não seriam comparáveis às informações que vieram à tona sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Também houve críticas à escolha do inquérito das fake news para apresentar o pedido contra Mendonça. Parte dos ministros entende que Moraes poderia ter encaminhado as acusações diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin, em vez de usar um procedimento que já é alvo de discussões internas sobre seu encerramento.
Moraes acusa Mendonça de conduzir de forma irregular tratativas de delações e de direcionar investigações por razões pessoais e políticas. Entre os possíveis alvos estariam o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A reação ocorreu em meio às revelações envolvendo o caso Master. Entre elas estão mensagens entre Moraes e Vorcaro e o pagamento de R$ 80 milhões pelo banco ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Na sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news. Antes, o presidente do STF já havia determinado que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem informações sobre o caso.