O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende incluir a gestão do futebol brasileiro entre os temas analisados pelo centro de estudos estratégicos que está sendo criado na instituição. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (14) pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, durante um evento do Grupo Esfera, em São Paulo.

Mercadante criticou o alto nível de endividamento dos clubes e defendeu mudanças na administração das equipes. Para ele, o futebol pode ser utilizado como instrumento de “soft power”, ampliando a influência do Brasil no cenário internacional por meio da cultura e da imagem do país. “Nós estamos estudando o futebol brasileiro. Nós temos que mudar o modelo de gestão do futebol. Nós temos talento e falta gestão”, afirmou.

Segundo o presidente do BNDES, a instituição pretende analisar experiências adotadas em outros países. Ele destacou que os clubes brasileiros acumulam dívidas sem seguir, na avaliação dele, regras suficientes de prudência financeira. Mercadante, no entanto, não informou quando o estudo será concluído nem detalhou quais medidas poderão ser propostas.

O levantamento ocorre em um momento de crescimento das receitas do futebol brasileiro, mas também de aumento dos gastos e das dívidas. De acordo com a consultoria Sports Value, os 20 clubes de maior faturamento do país movimentaram R$ 15 bilhões em receitas em 2025, alta de 36% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o endividamento chegou a R$ 16 bilhões, contra R$ 13,8 bilhões em 2024.

As despesas financeiras com empréstimos e atualização de débitos tributários ultrapassaram R$ 2,9 bilhões no ano passado, enquanto as obrigações tributárias somaram R$ 3,5 bilhões. A consultoria aponta ainda aumento dos custos com salários, contratações e manutenção das atividades. Corinthians, com R$ 2,44 bilhões, e Atlético-MG, com R$ 2,29 bilhões, lideraram o ranking de dívidas. Botafogo, Cruzeiro e Palmeiras completaram os cinco primeiros.

Apesar da avaliação de Mercadante sobre a falta de prudência, os clubes das Séries A e B já estão submetidos a regras de sustentabilidade financeira. O sistema estabelece exigências para o pagamento de obrigações, equilíbrio entre receitas e despesas e controle dos custos dos elencos, além de prever sanções em caso de descumprimento.

A fiscalização é atribuída à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que tem entre seus eixos o acompanhamento das dívidas e da capacidade financeira dos clubes. O estudo do BNDES também deverá integrar outras áreas estratégicas, como minerais críticos e projetos de infraestrutura.