O relatório preliminar do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), divulgado nesta quinta-feira (22), trouxe novos detalhes sobre a queda do helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas, em Urubici, na Serra Catarinense.

O documento aponta que os pilotos decolaram sem realizar o teste obrigatório do gravador de voz da cabine e reúne dados de radar e imagens que ajudam a reconstruir os últimos momentos do voo. O acidente ocorreu em 21 de setembro, durante uma viagem particular em um helicóptero Bell 430 que partiu de Porto Belo com destino a São Joaquim. A aeronave atingiu uma montanha a 1.686 metros de altitude, cerca de 104 metros abaixo do topo do Morro Convento dos Padres, localizado no Parque Nacional de São Joaquim.

Segundo o Cenipa, o voo aconteceu em meio a condições meteorológicas adversas, com chuva, trovoadas, baixa visibilidade e nuvens densas encobrindo os pontos mais elevados da serra. Um vídeo de 18 segundos, gravado por um morador a aproximadamente 2,5 quilômetros do local do acidente, mostra o helicóptero seguindo em direção à região antes de desaparecer na neblina.

Gravador de voz não passou por teste obrigatório

Um dos pontos destacados no relatório é a ausência do teste diário do Cockpit Voice Recorder (CVR), equipamento responsável por registrar os áudios da cabine. Instalado no helicóptero em maio de 2002, o dispositivo tinha capacidade para armazenar 30 minutos de gravação.

De acordo com a investigação, o teste de funcionamento deveria ser realizado antes do primeiro voo do dia. O procedimento exigia apenas o acionamento de um botão no painel de controle, mas não foi executado, conforme a lista de verificações de bordo encontrada entre os destroços.

A falta da checagem comprometeu a análise das comunicações imediatamente anteriores ao acidente. Os investigadores não encontraram registros de áudio referentes aos momentos que antecederam a queda. As únicas gravações recuperadas eram de conversas antigas relacionadas a uma manutenção, realizada em data não determinada.

O relatório também aponta que as verificações do gravador eram feitas quando alguma necessidade específica era identificada durante as inspeções de rotina.

Por outro lado, os peritos constataram que o ULB (Underwater Locator Beacon), dispositivo localizador subaquático da aeronave, estava com a manutenção em dia. O equipamento havia passado por vistoria em 12 de agosto de 2025, dentro do prazo de revisão preventiva de dois anos.

Dados de radar ajudam a reconstruir o voo

Os registros do sistema de controle de tráfego aéreo indicam que o helicóptero voou, durante boa parte do percurso, a altitudes entre 1.158 e 1.219 metros. Na última marcação de radar, a aeronave estava a 1.646 metros.

O ponto de impacto identificado pelos investigadores fica aproximadamente 40 metros acima dessa última altitude registrada. A diferença, no entanto, não significa necessariamente que o helicóptero tenha subido nos instantes finais. Segundo as autoridades aeronáuticas, os dados correspondem a fontes e momentos distintos e precisam ser analisados dentro do conjunto de evidências.

Embora o tempo instável seja um elemento importante para a apuração, o Cenipa ressalta que as condições meteorológicas, isoladamente, não permitem determinar a causa do acidente. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias da queda e identificar os fatores que podem ter contribuído para a tragédia.

Cinco pessoas morreram no acidente

Além do cantor Rick, morreram no acidente o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, o copiloto Leopoldo Barros Teixeira, o empresário Bruno Avelar de Souza e o videomaker Paulo Soares.

O relatório divulgado é preliminar e reúne informações obtidas durante as primeiras etapas da investigação. A análise das condições do voo, dos equipamentos e das demais evidências deverá contribuir para esclarecer o que provocou a colisão contra a montanha.

 Até o momento, os dados apresentados não estabelecem uma causa definitiva para o acidente.