Cidade
Ação visa arrecadar produtos de higiene para mulheres encarceradas na Capital
As doações serão entregues para o presidio semiaberto feminino de Campo Grande e pretende arrecadar mais de 800 produtos de higiene
Uma ação social promovida pelos alunos do 4° semestre de Comunicação da UCDB, em prol de mulheres detentas do Estabelecimento Penal Feminino de Regime Semiaberto - Aberto e Assistência às Albergadas (EPFRSAAA) de Campo Grande, pretende arrecadar cerca de 800 produtos de higiene pessoal, para fazer a entrega de 75 kits a mulheres, antes do final do ano.
O presídio semiaberto feminino de Campo Grande conta em média com 120 mulheres. Devido à pandemia, apenas 75 mulheres se encontram no ambiente prisional, as demais seguem cumprindo o mandado em prisão domiciliar.
Apesar da entrega desses produtos serem um dever do Estado, o sistema prisional feminino carece de produtos de higiene pessoal, e a falta dele, reflete diretamente na saúde e autoestima das detentas. O projeto pretende trazer um olhar mais humanizado para essas mulheres em situação de cárcere, diante do momento pandêmico, onde muitas não podem receber a visita de seus familiares.
As doações podem ser feitas com a entrega dos seguintes produtos:
• Sabonete
• Creme dental
• Escova de dentes
• Desodorante (rolon e creme)
• Shampoo
• Condicionador
• Cotonete
• Fio dental
• Absorvente
Ou, quem preferir, pode estar doando qualquer quantia em valor, para ajudar a custear os produtos. A arrecadação será feita até o dia 24 de novembro.
Para fazer a doação dos produtos ou de algum valor, basta encontrar em contato nos seguintes telefones: (67) 98104-6494 (Inez), (67) 99251-2421 (Eduarda) ou através do Instagram solidaria_com.
População carcerária no país
O aumento da população carcerária feminina é um fenômeno observado em todos os continentes: existem mais de 714 mil mulheres em prisões no mundo, o que representa um crescimento de 53% desde 2000 (World Female Imprisonment List, 2017).
Contudo, a situação no Brasil é ainda mais grave: o número de mulheres em situação de cárcere aumentou aproximadamente 675% desde o começo do milênio, considerando o número de 37.828 detentas no fim de 2017. Os números representam um crescimento na taxa de aprisionamento feminino 5,4 vezes maior que os dados de 2000.
Analisando o perfil das detentas no país, é possível observarmos que os mecanismos de opressão e marcadores sociais de seletividade do sistema penal se repetem em relação a mulheres presas. Segundo dados do Infopen Mulheres, no que tange à faixa etária das presidiárias, 25,22% possuem entre 18 a 24 anos e 22,11% entre 25 a 29 anos, ou seja, 47,33% da população carcerária feminina é jovem. Porém, o recorte racial é ainda mais revelador: 63,55% se declaram negras (somatório entre pardas e pretas); enquanto apenas 35,59% se declaram brancas (dados de 2017). Comparando esses números ao da população negra no Brasil no mesmo ano, estimada em 55,4%, é possível perceber a sobre representação da população negra no sistema prisional brasileiro.