O Pantanal Tech se consolida como um dos principais espaços de integração entre instituições públicas e privadas, setor produtivo e comunidade científica em Mato Grosso do Sul. A avaliação é do reitor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Laércio Alves de Carvalho, que destaca o evento como uma vitrine da produção sustentável do Pantanal aliada à inovação tecnológica. Em entrevista exclusiva ao JD1 Notícias, o reitor afirmou que a iniciativa vai além da programação técnica e tem impacto direto na geração de negócios, parcerias e fortalecimento de marcas e setores produtivos. Laércio também ressaltou o papel da economia criativa e da agricultura familiar na feira.

Na área de tecnologia, o reitor aponta a inteligência artificial como um dos principais destaques desta edição, especialmente aplicada ao agronegócio. Ele cita a pecuária de precisão e a rastreabilidade bovina como ferramentas que devem ampliar a eficiência e a qualidade da carne produzida no Estado. O crescimento econômico de Mato Grosso do Sul, impulsionado por setores como agronegócio, celulose e bioeconomia, também foi abordado. 

Laércio destacou ainda a oferta de cursos voltados à área florestal em diferentes municípios do Estado, como engenharia florestal em Aquidauana e tecnólogos em silvicultura em Ribas do Rio Pardo e Água Clara.

JD1 – Laercio, esse fim de semana acontece o Pantanal Tech, qual a importância do evento para o Estado de Mato Grosso do Sul? 

Laércio – A importância é para que a gente possa integrar as instituições públicas e privadas, a sociedade como um todo, no sentido de mostrar todo o potencial. Tudo o que é produzido de tecnologia e inovação da produção sustentável do Pantanal de Mato Grosso do Sul. Então, esse legado e essa integração de esforços são desse sentido e isso que nós consideramos mais importante nesse evento.

JD1 – Além da programação técnica, o Pantanal Tech também aproxima empresas, produtores, pesquisadores e investidores. Na prática, quais resultados o evento já trouxe em geração de negócios, parcerias e visibilidade para as marcas participantes? 

Laércio – Bem, todas as empresas e instituições aqui têm um objetivo. Várias empresas fazem negócios aqui no evento, divulgam as suas marcas, fecham acordos, parcerias. No âmbito da economia criativa existe uma capacitação de todos os artesãos, principalmente do município de Aquidauana e Anastácio e eles estão expondo produtos aqui e com essa capacitação eles podem aprimorar cada vez mais a sua produção no sentido de gerar renda, de gerar oportunidades e cada vez mais esse produto chegar ao mercado, não só aqui do Mato Grosso do Sul, mas do Brasil e, por outro lado, a gente tem a agricultura familiar que está mostrando também o que ela produz. A agroindústria é forte, então é um ciclo que gera renda, mas também que gera em torno de uma produção sustentável do Bioma Pantanal.

JD1 – Agora, na área de tecnologia, estamos vivendo o desafio da inovação, e o Pantanal Tech mostra isso. Sobre esse cenário tecnológico, o que o público pode verificar nessa edição? 

Laércio – Não só na área de inteligência artificial, no evento a gente tem uma atualização anual de tudo que tem de ponta na produção sustentável e a inteligência artificial vem nesse sentido. Com a força grande nessa edição de 2026, porque ela já está na ponta em todos os processos, não só na agropecuária, mas em todos os meios também.

E hoje a gente traz no evento a pecuária de precisão, que norteia um desafio importante para que a gente possa ter rastreabilidade bovina e isso vai gerar uma melhor eficiência e um melhor resultado para a venda da carne de alta qualidade, que já é do Mato Grosso do Sul.

JD1 –  Mato Grosso do Sul vive um momento de forte crescimento econômico, impulsionado pelo agronegócio, pela indústria da celulose e pela bioeconomia. Como o Pantanal Tech oferece soluções para este cenário? 

Laércio – Bem, Aquidauana já tem uma parceria grande com a empresa Suzano, EMS Florestal e Bracel, desenvolvendo no sentido de promover a formação de futuros profissionais. E no âmbito do Pantanal Tech nós temos a engenharia florestal. Essa engenharia florestal vem formando profissionais para atender esse mercado de trabalho. Mas a gente acredita também que as pesquisas que estão sendo realizadas pelas empresas, pela equipe da UEMS, vai fazer com que a gente tenha cada vez mais resultados para o estado de Mato Grosso do Sul, não só vinculado ao Pantanal Tech, mas também em outras regiões fora do Pantanal, em que é a principal região de produção da celulose.

JD1 – Os cursos que a UEMS oferta hoje na área de silvicultura, onde estão localizados? 

Laércio – Nós temos a engenharia florestal em Aquidauana, tecnólogo de silvicultura em Ribas do Rio Pardo e tecnólogo em silvicultura também em Água Clara.

JD1 –  Quais são os principais desafios da UEMS atualmente, tanto do ponto de vista da gestão quanto da expansão da universidade, e qual legado o senhor espera deixar à frente da UEMS e como imagina a universidade nos próximos anos?

Laércio – Eu acho que o maior legado é mostrar para o mundo que é possível integrar as instituições, é possível a gente mostrar que no Pantanal tem uma produção sustentável, que atende lá na ponta, levando tecnologia e inovação para o pequeno produtor, para o grande produtor, para os povos originários, para os quilombolas. E, além disso, levar para o mundo essa vitrine que se chama Pantanal e o principal: valorizar esse legado dos pantaneiros e pantaneiras que vivem e moram e produzem no Pantanal.