Mondovino
Mais cinco coisas que você precisa saber sobre o vinho
1. Branco e rosê
O líquido do vinho se origina da polpa da uva. A cor, assim como outros inúmeros aromas e sabores, vem da casca. Ou seja, em geral, uva branca faz vinho branco e uva tinta faz vinho tinto. Se você fermentar o vinho sem a casca todos os vinhos serão brancos, mas os vinhos tintos são sempre fermentados com as cascas para dar a cor e o sabor que ela passa e outras características. Quando se faz champanhe, por exemplo, os franceses usam três uvas: uma branca, a chardonnay, e duas tintas, a pinot noir e a pinot meunier, as duas tintas são fermentadas sem as cascas, logo, o champanhe tem cor de vinho branco.
Vinho rosê pode ser feito basicamente de duas maneiras. Pela cuidadosa mistura de um vinho tinto e um branco ou pelo método de sangria, no qual se retira o mosto do contato com as cascas tintas após leve maceração, antes de liberar muito pigmento. A partir daí, vinifica-se como um vinho branco. Hoje já existem vinhedos plantados especificamente para produzir vinho rosê.
2. Uvas para vinho
Todas as uvas servem para fazer vinhos? Sim, todas servem, pois fermentam igualmente se submetidas ao processo de fermentação, porém, algumas geram vinhos muito melhores que as outras. Existem duas “famílias” de uvas, as conhecidas como uvas americanas e as vitis viniferas. As uvas americanas dão vinhos mais grosseiros, os vinhos de garrafão, mas, como sempre digo, tudo é uma questão de gosto pessoal. Elas são consumidas in natura e usadas para geleias, doces etc. Entre elas estão isabel (a mais plantada no Brasil), moscatel, itália etc.
Já as vitis viniferas são consideradas as uvas ideais para a produção de vinhos finos e são usadas unicamente para esse fim. Algumas das mais conhecidas são: cabernet sauvignon, merlot, syrah e muitas outras.
3. Mais antiga
A garrafa de vinho mais antiga do mundo data do ano 325 a.C. e foi encontrada perto da cidade de Speyer, na Alemanha, em 1867. Acredita-se que é a garrafa não aberta mais velha do mundo. Ela possui cerca de 1,5 litro de bebida e foi descoberta durante uma escavação dentro da tumba de um homem pertencente à elite romana, do século 4, que possuía dois sarcófagos, um com o corpo de um homem e o outro com o de uma mulher. É provável que o vinho tenha sido produzido naquela região, diluído com uma mistura de ervas e preservado com uma grande quantidade de azeite espesso adicionado ao frasco para vedar o vinho, juntamente com um selo de cera quente.
4. Uma profissão antiga...
Sommeliers já existiam na Grécia antiga, também na antiga Roma e em muitas outras cortes e reinos. Algumas vezes nós passávamos poucas e boas. Em alguns lugares os sommeliers provavam o vinho dos soberanos antes de eles beberem, então, se alguém queria envenenar o tal governante infelizmente um de nós iria conhecer o Altíssimo antes da hora.
5. Café, morango, mel... Isso tudo está no seu vinho?!
Fique tranquilo. Não colocaram frutas vermelhas, tabaco, asfalto, mel ou café no seu vinho. Quando alguém, seja um crítico ou um sommelier, usa algum destes chamados “descritores aromáticos”, muitas vezes considerados esquisitos, estão citando aromas que podem ser encontrados nos vinhos porque estes compartilham moléculas com várias outras substâncias presentes na natureza. Muitas vezes as pessoas torcem o nariz ao ler que tal vinho tem aromas de “bosque úmido ao amanhecer”. Claro que há um pouco de exagero nisso, mas nosso cérebro tem uma capacidade até desconhecida por nós mesmos de arquivar aromas. Os especialistas tentam descrever um vinho usando nossos arquivos cerebrais. Quando eu descrevo um vinho da uva chardonnay ao cliente, no restaurante, digo que ele tem um aroma que lembra abacaxi, defumado, amanteigado etc. isso porque sei que as moléculas daquela uva específica durante a fermentação liberam substâncias que lembram as descrições que fiz. Parece complicado, mas é simples, na verdade. Basta treinarmos um pouco mais nosso olfato que é um sentido que, pela nossa evolução, infelizmente, usamos muito pouco hoje em dia.
Bons vinhos a todos!
“Champagne: nas vitórias nós o merecemos, nas derrotas precisamos dele”
Napoleão Bonaparte