Querosene nas alturas
Petrobras reajusta querosene de aviação em 11,8% e preço chega a R$ 6,24 por litro
Alta entra em vigor nesta quinta-feira e ocorre após aumento de 13,9% em setembro; companhias aéreas apontam impacto crescente do combustível nos custos do setor
A Petrobras reajustou em 11,76%, em média, o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. O novo valor entrou em vigor nesta quinta-feira (1º) e elevou o preço médio nas refinarias de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro. Na prática, o aumento foi de cerca de R$ 0,66 por litro.
O reajuste é aplicado no primeiro dia de cada mês, conforme os contratos firmados entre a Petrobras e as distribuidoras. Em setembro, o QAV já havia registrado alta de 13,9%.
Segundo a Petrobras, o aumento de outubro está relacionado ao cenário internacional do petróleo, em especial ao recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A instabilidade na região elevou os riscos para o transporte marítimo de petróleo e gás e trouxe pressão sobre as cotações internacionais de energia.
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, passagem localizada entre o Irã e a Península Arábica e que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. A rota é estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás.
Com o novo reajuste, o preço médio do QAV acumula uma alta expressiva ao longo de 2026. Em 1º de março, o litro custava, em média, R$ 3,592. O valor atual de R$ 6,242 representa aumento de aproximadamente 74% em relação àquele período.
Combustível pesa nos custos das companhias
A escalada do preço do QAV também aumenta a pressão sobre as companhias aéreas. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que reúne empresas como Latam, Gol e Azul, calcula que o combustível já representa 45% dos custos operacionais do setor. Antes da atual escalada de preços, a participação era estimada em 30%.
A entidade também aponta que o preço do QAV acumulou alta de cerca de 90% desde fevereiro, passando de aproximadamente R$ 3,31 para R$ 6,28 por litro, considerando o reajuste de outubro.
De acordo com a Abear, as companhias aéreas já gastaram, em 2026, R$ 7,6 bilhões a mais com combustível do que o valor que havia sido projetado antes do início do conflito. A associação afirma que a sequência de aumentos pode trazer efeitos sobre a conectividade aérea e o acesso da população ao transporte por avião.
O combustível é um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas aéreas. Dados da própria Abear mostram que o QAV representava 36% das despesas das companhias em 2023, embora a participação tenha mudado desde então com a variação dos preços.
Efeito sobre o preço das passagens
A alta do combustível ocorre em um cenário de oscilações nas tarifas aéreas. Em agosto, as passagens recuaram 13,17% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), depois de terem subido 11,67% em julho. No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, as tarifas registravam queda de 1,28%. Já no período de 12 meses, o item ainda apresentava alta de 26,29%.
A maior alta mensal das passagens neste ano havia sido registrada em julho, quando os preços subiram 11,67%. O período coincidiu com uma nova escalada das tensões no Oriente Médio e com o agravamento das incertezas sobre o fornecimento internacional de energia.
O aumento do QAV não significa, necessariamente, que as passagens subirão na mesma proporção. O preço dos bilhetes também depende de fatores como demanda, câmbio, oferta de voos, custos operacionais e estratégia comercial das companhias.