Menu
Menu
Busca quinta, 02 de abril de 2026
Assembleia Abr26
Economia

Brasil tem melhor renda, menor pobreza e desigualdade desde 1995, aponta IBGE

Ipea aponta avanço após crises e retomada do trabalho e da assistência

25 novembro 2025 - 18h24Luiz Vinicius, com informações da Agência Brasil

O Brasil registrou, em 2024, os melhores resultados de renda, desigualdade e pobreza de toda a série histórica iniciada em 1995, segundo nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo foi divulgado nesta terça-feira (25) a partir de dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao longo de 30 anos, a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70%, o coeficiente de Gini (índice que mede concentração de renda) caiu quase 18% e a taxa de extrema pobreza recuou de 25% para menos de 5%.

O progresso foi irregular, concentrado entre 2003 e 2014, e retomado com força entre 2021 e 2024. Após um ciclo prolongado de crises entre 2014 e 2021 — marcado por recessão, lenta recuperação e forte impacto da pandemia — a renda per capita atingiu seu menor patamar em uma década. A trajetória mudou a partir de 2021: em três anos seguidos, a renda média cresceu mais de 25% em termos reais, maior avanço desde o Plano Real, acompanhado de queda expressiva na desigualdade.

“Os resultados mostram que é possível reduzir intensamente a pobreza e a desigualdade, mas que esses movimentos também podem ser interrompidos ou mesmo revertidos por vários fatores. E que é importante combinar diferentes meios para alcançar esses objetivos fundamentais do país”, destacou Marcos Dantas Hecksher, autor do estudo ao lado de Pedro Herculano Souza.

Os pesquisadores atribuem a melhora recente ao aquecimento do mercado de trabalho e à expansão das transferências de renda, ambos responsáveis por quase metade da redução da desigualdade e da queda da extrema pobreza entre 2021 e 2024. Programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Auxílio Brasil e Auxílio Emergencial se mostraram mais efetivos após 2020.

No entanto, o efeito das transferências perdeu força em 2023 e 2024 com o fim do ciclo de expansão, enquanto o mercado de trabalho manteve forte influência sobre os indicadores sociais.

“As desigualdades precisam ser combatidas por meio de todas as políticas públicas. Não apenas por melhor direcionamento de gastos sociais aos mais pobres, mas também por uma distribuição mais justa dos impostos. É importante promover a produtividade do trabalho dos mais pobres e, ao mesmo tempo, reduzir a fatia dos recursos públicos que precisa ser destinada ao pagamento de juros da dívida pública aos mais ricos”, diz Hecksher.

Em 2024, o país registrou os menores níveis de pobreza da série. Ainda assim, 4,8% da população vivia abaixo da linha de extrema pobreza (US$ 3 por dia) e 26,8% abaixo da linha de pobreza (US$ 8,30 por dia). Mais de 60% da redução da extrema pobreza entre 2021 e 2024 decorreu da melhora distributiva, segundo a decomposição apresentada pelo estudo.

A nota técnica aponta que o avanço observado no pós-pandemia tende a perder ritmo com o encerramento da expansão das políticas assistenciais, tornando o mercado de trabalho ainda mais determinante nos próximos anos. Os autores alertam que pesquisas domiciliares tendem a subestimar rendimentos muito altos e parte das transferências sociais, o que exige cautela na leitura dos resultados.

O documento conclui que o período recente marca uma mudança estrutural importante: depois de anos de estagnação ou retrocesso, os indicadores de renda, desigualdade e pobreza voltaram a melhorar ao mesmo tempo e de forma acelerada.

Reportar Erro
Arauco - Niver Inocencia Abr26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Dinheiro - Foto: Getty Images / BBC
Economia
Receita Federal anuncia 'cashback' do Imposto de Renda e deve devolver R$ 500 milhões
O intenso movimento mostra que muitos moradores da capital deixam para a última hora
Economia
Vídeo: Consumidores deixam para última hora e formam fila na peixaria do Mercadão da Capital
Banco do Brasil
Economia
Banco do Brasil prorroga até 30 de abril renegociação de dívidas
O Procon orienta que consumidores fiquem atentos ao peso dos produtos
Economia
Procon MS aponta variação de até 118% em produtos de Páscoa em Campo Grande
Auxílio alimentação aumentou após negociação
Economia
Auxílio-alimentação de servidores públicos federais sobe para R$ 1.192
Preços subiram com a alta do diesel
Economia
Preço do diesel eleva custo de frutas e verduras na Ceasa-MS
Riedel anunciou medida para tentar frear alta do combustível
Economia
Riedel confirma adesão a programa que barateia diesel
Estado chegou a 700 mil empregos formais
Economia
MS cria mais de 6 mil empregos em fevereiro e atinge recorde de trabalhadores formais
Mais de 80% dos estados aderem a subsídio a diesel importado
Economia
Mais de 80% dos estados aderem a subsídio a diesel importado
Imagem de dinheiro
Economia
Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de março

Mais Lidas

UPA Leblon, em Campo Grande
Polícia
Mulher é abandonada pela família enquanto passava mal e morre em UPA de Campo Grande
Atropelamento e menina / Reprodução
Polícia
VÍDEO: Câmera flagrou acidente que matou Lauren no Nova Lima
VÍDEO AGORA: Adolescentes são socorridas em estado grave após acidente com ônibus em Campo Grande
Polícia
VÍDEO AGORA: Adolescentes são socorridas em estado grave após acidente com ônibus em Campo Grande
Mesmo com costelas quebradas, Santa Casa deu alta para bebê atropelada por moto antes da morte
Polícia
Mesmo com costelas quebradas, Santa Casa deu alta para bebê atropelada por moto antes da morte