Na segunda-feira (9), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse que “as universidades brasileiras deveriam ser para poucos.” E defendeu que o futuro está nos institutos federais, capazes de formar técnicos.

 "Tenho muito engenheiro ou advogado dirigindo Uber porque não consegue colocação devida. Se fosse um técnico de informática, conseguiria emprego, porque tem uma demanda muito grande", disse Ribeiro, em entrevista ao programa "Sem Censura", na noite desta segunda-feira (9).

Após a fala do ministro, a superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Ana Inoue, disse que é um reforço ao reforça estereótipos ultrapassados sobre a educação profissionalizante. Para ela, o Ministério da Educação vai contra as mudanças no mundo do trabalho ao se omitir em apoiar os estados na implementação do novo ensino médio, onde o aluno pode conciliar estudo e mercado de trabalho.

Em 2022, o novo ensino médio entrará em vigor nas redes públicas e escolas particulares, a partir do 1º ano, no ano seguinte em 2º ano, até ser totalmente implementado, nos três anos do ciclo, em 2024. A reforma foi estipulada durante o governo de Michel Temer, em 2017.

O estado de Mato Grosso do Sul é uma das treze unidades federativas que já concluíram a homologação dos referenciais curriculares para o Novo Ensino Médio.

Em 2020, o Brasil registrou 1,9 milhão de matrículas na educação profissional e tecnológica de nível médio. Dessas, 19.820 são no Estado de Mato Grosso do Sul, divididas em 112 escolas e 67 cursos técnicos. A área com maior número de alunos é a de informação e comunicação, seguida por gestão e negócios. O ensino médio regular conta com mais de 118 mil estudantes, em 540 escolas.

O ensino médio tem como meta aproximar o estudante do mundo trabalho, dando mais abertura para que ele possa escolher áreas de interesse, com qualidade. O novo modelo também prevê aulas em tempo integral. Serão oferecidos cinco itinerários formativos, além da Formação Geral Básica, organizadas a partir de uma ou mais áreas do conhecimento.

Das 27 unidades da federação, apenas 13 já finalizaram o processo de homologação dos referenciais curriculares – Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe (fonte: Observatório do Movimento pela Base).