Presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (AMAS) para o biênio 2026/2027 e CEO do Grupo Nunes e Morena Atacadista, Éder Luís de Oliveira conhece de perto as transformações que atravessam o varejo alimentar. Em entrevista ao JD1, ele destaca o avanço da inteligência artificial e da análise de dados, fala sobre a pressão dos preços dos alimentos, os impactos da reforma tributária e defende investimentos em estrutura para que Campo Grande possa receber eventos cada vez maiores. Para o empresário, diante de um consumidor mais conectado e com menor poder de compra, o setor precisa se adaptar continuamente sem perder de vista o que considera essencial: entender e atender as necessidades do cliente.

 JD1 –  Éder, a SuperAMAS chega a mais uma edição já consolidada como um dos principais eventos do varejo alimentar de Mato Grosso do Sul. Qual é a expectativa para esta edição e o que o senhor considera essencial para alcançar esse crescimento? Éder – São mais de 30 anos de muito trabalho para a construção da SuperAMAS. A consolidação da nossa feira é resultado da dedicação, da união e desse trabalho que envolve toda a nossa equipe, nossos diretores e todos os supermercadistas que já estiveram na presidência e aqueles que direta, ou indiretamente atuam para o fortalecimento do setor. 

Nossa expectativa e nosso grande desafio é sempre fazer uma SuperAMAS melhor. Queremos oportunizar ao setor de varejo alimentar que tenha contato e acesso ao que há de melhor, seja na tecnologia, seja na inovação, mas que tenha contato com o que os grandes centros vivenciam. Por isso, a SuperAMAS é esse sucesso há anos e se consolidou ano após anos, pelo trabalho que sempre foi realizado de buscar para o ano seguinte uma feira ainda melhor do que a que já foi entregue. 

E, não tenho dúvidas que hoje, para crescermos mais seria essencial que nossa capital tivesse um Centro de Convenções com grande capacidade e estrutura para acolher eventos como a SuperAMAS. E, é uma antiga reivindicação da AMAS. 

JD1 – A programação deste ano traz temas como inteligência artificial, análise de dados e comportamento do consumidor. O supermercadista de hoje já percebeu que tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade? 

Éder – O supermercadista tem usado a tecnologia a favor de seus negócios já tem um bom tempo. Basta lembrar como eram os caixas e como ele evoluíram ao longo dos últimos anos para o autoatendimento. 

E, falar em inteligência artificial, análise de dados e do comportamento do consumidor são questões que estão presentes em nosso cotidiano, em algumas rotinas de trabalho e que contribuem para facilitar a vida do empresário no chão de loja. São questões que ajudam a evitar os desperdícios e a perdas, por exemplo, e que alinham as características dos negócios. É mais que sabido que conhecer as inovações, as tecnologias e acompanhar as mudanças dos consumidores são de suma importância para se manter o negócio vivo. 

JD1 – A SuperAMAS aproxima supermercadistas, fornecedores, indústria e instituições. Além dos negócios, que tipo de transformação o senhor gostaria que esse encontro provocasse no setor? 

Éder – A SuperAMAS é um evento democrático, que reúne o grande supermercadista e o pequeno da mesma forma, levando a mesma informação, o mesmo conhecimento. Então, a transformação que queremos é cada vez mais fortalecer o setor do varejo alimentar em todo o nosso estado, mostrando que mais que compras, nos nossos estabelecimentos proporcionamos experiências para toda a família. 

JD1 – Entre tantas mudanças no comportamento do consumidor, qual é hoje o principal desafio para o supermercado: atrair, fidelizar ou fazer o cliente comprar mais? 

Éder – Sempre será o conjunto, até pelo fato de os consumidores trazerem consigo suas experiências, necessidades. Levar o consumidor até a sua loja é um desafio, fidelizar é um desafio e fazer comprar mais é um desafio. 

Hoje, o consumidor teve seu poder de compra reduzido, o que faz com ele busque produtos mais acessíveis, deixando de optar apenas pela marca e escolhendo pelo preço, como fator principal. 

Além disso, já não existe mais o cliente fiel, como era antes. Hoje, com a multicanalidade, em que o consumidor pode fazer compra em vários canais, na loja física, na loja virtual, o supermercado precisa se reinventar o tempo todo. Precisa investir em uma apresentação que estimule a compra por impulso, oferecer um mix maior de produtos na loja, e, principalmente, entender o que o consumidor busca. 

Além de tudo, nosso setor é impactado pelos diversos cenários que se apresentam, desde as sazonalidades, até as políticas econômicas, inclusive as tratativas internacionais. E, no meio disso tudo, está toda a cadeia de supermercado e seus clientes, tentando equalizar as dificuldades e oportunidades que surgem. 

JD1 – O preço dos alimentos continua sendo uma preocupação direta para as famílias. Até que ponto o supermercadista consegue absorver aumentos de custos sem repassá-los ao consumidor? 

Éder – O setor é muito suscetível à variação de preços dos alimentos, pois não são os supermercados que determinam os preços básicos. Nós os repassamos ao consumidor, com custos e margem de lucro, mas frequentemente o supermercadista acaba absorvendo altas dos preços, essa não é uma ação incomum em nosso setor. 

Muitas vezes esticamos a corda ao máximo, reduzimos as margens e fazemos o possível para não passar ao consumidor, mas há situações que a empresa precisa repassar os custos, até mesmo para sobreviver.

JD1 – A reforma tributária está no radar de todo o setor produtivo. Para o varejo alimentar, quais são hoje as maiores preocupações e o que precisa ser observado durante essa transição?

Éder – Essa é uma situação que tem deixado o setor um pouco apreensivo, pois as regras nem sempre são tão claras e acabam dando margem para dúvidas e erros. Por isso, a AMAS tem buscado tirar as dúvidas dos empresários.

Em agosto realizamos um Café & Negócios AMAS onde levamos contadores e um representante da Sefaz para passar informações e tirar as dúvidas dos empresários em relação às mudanças que estão vindo com a reforma tributária.

Queremos que todos estejam preparados para as essas mudanças, para que o nosso setor continue forte e movimentando a economia de todo o Estado. 

JD1 – A AMAS reúne supermercados de diferentes portes e realidades em todo o Estado. Como equilibrar as necessidades de um grande grupo da Capital com as dificuldades de um pequeno supermercado do interior? 

Éder – A AMAS é formada, em sua diretoria, por supermercadistas tanto da capital quanto do interior, além disso, há diretores que são de grandes redes, e de empresas de médio e de pequeno porte. 

Todas as decisões da entidade são voltadas para o coletivo, e não há uma diferenciação entre portes, nem se os supermercados são da capital ou do interior. 

Estamos sempre atentos e abertos para receber as demandas do setor e buscar as melhores soluções. inclusive nos casos em que ações do poder público, incluindo propostas de projetos de Lei, possam interferir e impactar de maneira negativa no setor supermercadista, tanto grandes, quanto pequenos. 

JD1 – O senhor começou no setor há mais de 20 anos e construiu sua trajetória empresarial ao lado da família. O que mudou naquele primeiro supermercado para o empresário que hoje está à frente da AMAS? 

Éder – Quando a nossa empresa deixou de ser uma pequena operação familiar e passou a envolver centenas de pessoas, percebemos que não bastava apenas trabalhar muito. Era preciso aprender a administrar, delegar, formar equipes, profissionalizar processos e manter a qualidade. Então, vieram os estudos em gestão, o aperfeiçoamento do atendimento e a busca permanente por qualidade. 

E foi com essa visão, construída ao longo desses 20 anos, que aceitei a presidência da AMAS. Hoje, tenho o suporte dos meus filhos e da minha esposa nos negócios, de maneira que posso dedicar meu tempo para a entidade. 

Nossa associação já é muito forte e respeitada, e acredito que podemos somar com nosso jeito de administrar, buscando o fortalecimento e o desenvolvimento de todo o setor.

JD1 – Para encerrar: se o senhor tivesse que apontar uma grande tendência que vai transformar os supermercados nos próximos anos, qual seria e por que o empresário precisa começar a olhar para ela agora?

Éder –  A tecnologia e a inteligência artificial são fatos consumados e nós temos que nos adaptar, começar a integrar nossas empresas a esse “novo mundo”, obtendo os benefícios que esse ambiente possa agregar.

Mas, para além das novidades gerenciais e de operação, os supermercados precisam ter seu foco sempre no seu consumidor, entendendo o que ele busca na loja, quais produtos, marcas e diferenciais ele prefere e atendendo as suas necessidades.