A convocação do volante Éderson dos Santos para a Seleção Brasileira que disputa a Copa do Mundo de 2026 trouxe orgulho, emoção e renovou sonhos no Instituto Bola de Ouro, em Campo Grande. Foi no projeto social que o jogador deu os primeiros passos no futebol e iniciou uma trajetória que hoje inspira dezenas de crianças que treinam diariamente no mesmo campo onde tudo começou.

Aos olhos dos jovens atletas, a história de Éderson é a prova de que dedicação, disciplina e perseverança podem transformar sonhos em realidade. Para o Instituto Bola de Ouro, a convocação representa também a confirmação de um trabalho que, há mais de duas décadas, tem como principal missão formar cidadãos por meio do esporte.

O treinador e presidente do projeto, Jairo César da Silva, acompanha essa história desde o início e relembra com detalhes a chegada do menino que mais tarde vestiria a camisa da Seleção Brasileira. “Ele chegou com seis anos de idade, veio com a mãe, descalço, e ficou ali olhando pelo alambrado enquanto a gente treinava. No outro dia voltou, entrou no campo e nunca mais saiu do futebol”, recorda.

Mas o sucesso não veio sem obstáculos. Jairo conta que Éderson chegou a pensar em desistir do futebol após uma avaliação frustrada. “Ele teve uma avaliação no São Paulo e não passou. Ficou muito chateado, porque o sonho dele era jogar em um grande clube. Chegou a ficar desanimado. Nós conversamos e mostramos que existem degraus no esporte. É preciso subir um de cada vez. Ele continuou treinando, se dedicando e acreditando. Hoje está na Seleção Brasileira e isso mostra que valeu a pena insistir”.

Mais do que revelar talentos para o futebol, o Instituto Bola de Ouro nasceu com a missão de formar cidadãos. Segundo Jairo, esse propósito acompanha o projeto desde 2004, quando recebeu a administração do campo.

“Recebemos esse espaço em 2024, desde então, são 21 anos trabalhando com esse pensamento. A nossa missão é formar cidadãos de bem. O futebol vem depois. A gente ensina respeito aos pais, aos professores, a importância de estudar e ter boas notas. O esporte complementa tudo isso”, enfatiza.

A história de Éderson se transformou em uma das principais ferramentas de incentivo dentro do projeto. O treinador afirma que utiliza frequentemente o exemplo do ex-aluno para mostrar às crianças que esforço e disciplina fazem a diferença.

“Eu sempre conversei com eles sobre dedicação e responsabilidade. Agora, mais do que nunca, reforço isso. O fruto apareceu. O Éderson, quando não estava jogando, era gandula dos jogos dos adultos. De manhã cedo vinha marcar o campo comigo. Ele queria ser alguém através do futebol e aproveitou as oportunidades. Hoje está aí o resultado", conta orgulhoso.

A inspiração já pode ser percebida entre os meninos que atualmente frequentam o instituto. Aos 13 anos, Luis Gustavo treina no Bola de Ouro há seis anos e sonha seguir carreira no futebol profissional.

“Fiquei muito feliz por ele estar na Seleção Brasileira. Meu sonho também é ser jogador de futebol. Aqui a gente aprende muito. O projeto forma cidadãos e também jogadores. Isso é muito importante para nós".

Há apenas seis meses no instituto, Bryan Rodrigues diz que a convocação de Éderson reforçou sua confiança no futuro. “Eu entrei porque aqui eles ensinam a gente a jogar futebol e também a ser um cidadão de bem. Meu sonho sempre foi ser jogador. Saber que alguém que treinou aqui chegou à Copa do Mundo e à Seleção Brasileira dá esperança para todos nós”.

Já Otacílio Machado, que participa do projeto há três anos, não esconde a admiração pelo volante da Seleção. Em 2025, ele foi eleito o melhor jogador da categoria baby futebol do instituto e sonha em um dia defender o Corinthians e a Seleção Brasileira. “Eu gosto muito de jogar aqui. Quando crescer quero jogar no Corinthians e também na Seleção. A convocação do Éderson me deixou muito feliz porque ele treinou aqui e conseguiu chegar muito longe", comemorou.

Para Jairo, ver um ex-aluno alcançar o principal palco do futebol mundial representa a confirmação de que o trabalho desenvolvido ao longo de duas décadas está no caminho certo.

“Para mim e para as crianças, a chegada do Éderson à Seleção é a satisfação do trabalho realizado. Mostra que conseguimos fazer a diferença na vida de alguém. Mais do que formar atletas, estamos formando cidadãos de bem. E quando eles veem que alguém saiu daqui e chegou tão longe, passam a acreditar que também podem alcançar seus sonhos”, conclui.