Um resultado positivo que foi uma grande alegria. Essa é a lembrança da Izabel. O ano era 1996. Ela já tinha um filho de cinco anos, mas aquele também, apesar de não ser planejado, era de imensa alegria. Em 9 de dezembro daquele ano, o presente de natal veio antecipado. Crhistopher Benedito veio ao mundo. “Foi dia mais lindo quando eu descobri, eu já tinha um menino de cinco anos e não tinha planejado ter outro, mas um dia eu fui ao médio e fiz um teste que deu positivo. Foi festa, mesmo com uma situação financeira difícil. Meu filho é um anjo, nunca fez mal a ninguém”.

Desde então, esse será o primeiro dia das mães de Izabel Cristina, sem a presença física do filho. O moço forte, moreno, alto, apesar da mãe ainda falar no presente, se despediu do mundo após passar dias em coma. Bem na semana do dia das mães, nesta quinta-feira (5), dias antes do tão especial segundo domingo, Crhistopher faleceu em decorrência de um acidente de moto. Ele estava pilotando em Bonito, quando um carro bateu na moto que o rapaz estava.

O menino galante, que tirava várias fotos e recebia várias declarações de amor da mãe se foi, mas o amor de mãe, esse nunca vai passar. “Ninguém sabe a dor quando um filho se vai. O dia hoje é triste, dói, a dor me consome. Tudo”, conta ela.

Antes da partida, o rapaz fez algo que deixou a mãe muito feliz. “Ele desceu as águas antes, antes de morrer”, explica sobre a atitude do rapaz de se batizar em uma igreja evangélica antes de falecer. No Facebook, a página dele e da mãe está repleta de belas mensagens de carinho. As mensagens que começaram com palavras de luta e esperança do tempo que ele ficou internado, se transformaram em palavras de consolo e saudades.

A mãe prefere não falar do acidente que vitimou o filho, mas do que pode vir depois. Apesar de tanta dor, Izabel fez questão de continuar a generosidade do filho. “Eu doei as córneas dele”, conta ela de supetão ao ser questionada sobre quanto tempo ele ficou internado e como foi o acidente. “Ele estava em Bonito, veio um carro e bateu na moto dele, foi isso”. Suas palavras não possuem raiva, nem mágoa, “apenas” dor.

“Sabe, eu doei as córneas porque tem tanta gente na espera, e como tem quem precisa, um dia podemos precisar também, ele continuará enxergando a luz”, acredita. A mãe não consegue mais falar. Do filho, várias fotos, mas uma especial. “Ele pequeno de macacão listrado, meu filho é lindo”. Para uma mãe, o filho nunca fica no passado. Izabel é a prova nesse dia das mães, e sempre, que deveria ser proibido uma mãe enterrar seu filho.  

A intenção desta reportagem, não é fazer ninguém chorar, ou ser triste, mas sim uma maneira de uma mãe, como tantas outras que hoje choram a partida de seus filhos, se sentirem homenageadas. Em Izabel, homenageamos todas as mamães.