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Após quatro anos da morte dos filhos, Mães da Fronteira lutam por mudanças
Breno e Leonardo foram assassinados em agosto de 2012, depois de serem sequestrados na saída do bar 21
“Tudo aconteceu naturalmente”, é o que conta Ângela Fernandes, mãe de Leonardo Fernandes, sobre o surgimento da Associação Mães da Fronteira. “Quando os meninos morreram as coisas foram acontecendo, nós sempre participávamos de entrevistas, passeatas, campanhas e nos envolvemos".
“Uma vez me questionaram: ‘essas mães não vão parar? ’ e eu disse: ‘Não. Nós não vamos parar, vamos ser as Mães da Fronteira!’. Assim as coisas foram ganhando forma. Com o tempo nós percebemos que era importante oficializar nossa luta para ganhar mais força”, descreveu Ângela.
A perda dos filhos, Breno e Leonardo, se transformou em desejo de mudança e fez com que as mães Lilian Silvestrini e Ângela Fernandes fundassem a Associação Mães da Fronteira, em setembro de 2013, com o objetivo de melhorar as políticas públicas e o policiamento nas fronteiras de Mato Grosso do Sul.
Para as presidentes da Associação, Ângela e Lilian, “os principais responsáveis, em última instância, pela morte dos meninos são o descaso do governo brasileiro com a segurança na fronteira, as práticas do governo boliviano que legaliza os carros que são roubados e o tráfico internacional de drogas”, pontua Ângela.
A atuação da Associação vai desde a cobrança do cumprimento de leis até mobilizações para a conscientização da população para que ela se torne agente ativo na sociedade. Para as mães a mudança de comportamento só aconteceu depois da tragédia. “Nós também não éramos ativas e passamos a ser depois da morte dos nossos filhos. Hoje tentamos mostrar para as pessoas, que não esperem acontecer uma tragédia na vida delas para se tornarem ativas” reconhece Ângela.
Ângela acredita que o balanço destes três anos de luta é extremamente positivo. Para a presidente da Associação considerando que há ajuda financeira de ninguém “apesar de andar a passos lentos nós acreditamos que estamos solidificando nossa atuação. Nós não temos como impedir que esse tipo de violência aconteça, mas sei que estamos fazendo a nossa parte”.
Quatro anos de saudade
Os quatro anos da morte dos jovens Breno Silvestrini e Leonardo Fernandes, assassinados em agosto de 2012, serão lembrados com uma missa campal no próximo domingo, dia 21 de agosto, às 9 horas da manhã, no Bosque da Paz, que fica na rua Folhagens, entre as ruas Mário de Andrade e Kame Takaiassu, no bairro Carandá Bosque I, em Campo Grande.
Breno, na época com 18 anos, e Leonardo, de 19, foram mortos no dia 30 de agosto de 2012 depois de serem sequestrados na saída de um bar, em Campo Grande, por bandidos que queriam a caminhonete em que os jovens estavam para trocar por drogas, no Paraguai.