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Brasil fica forte em 2017 e deve fechar exportações de carne bovina em alta
Para 2018, a previsão é de crescimento de 9,8% em volume e 10,5% em receita
Mesmo depois de um ano bem atribulado, o Brasil deve fechar as exportações de carne bovina em alta este ano. Conforme o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Antônio Jorge Camaedelli, o setor conseguiu mostrar sua força ao se manter no mercado mesmo com as adversidades.
Os fatores que mais contribuíram para um ano atribulado, conforme Camaedelli, estão as operações Carne Fraca e Carne Fria, a volta da cobrança do Funrral, a deleção dos executivos da JBS, a suspensão das exportações de carne in natura aos Estados Unidos e a recente paralisação das compras da Rússia. “Apesar das broncas, conseguimos sair por cima”, destacou o executivo.
A Carne Fraca foi a que deixou o país em uma situação mais difícil. Quando a operação foi deflagrada, em março, houve a suspensão de compras de países que respondiam por 59,7% das exportações brasileiras de carne bovina. Isso fez com que os embarques de abril caíssem 25% em receita e 26% em volume. Atualmente, apenas três países permanecem fechados. Juntos, eles respondem por 0,09% das exportações.
“É difícil dizer que as exportações só cresceram em virtude dessa operação, mas sem dúvidas isso nos obrigou a fazer revisões e otimizar os processos. Conseguimos fazer uma limonada com esses limões”, avaliou.
Entre os pontos positivos durante o turbilhão, Camardelli destaca a atuação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) junto aos países compradores prestando os devidos esclarecimentos e reforçando a confiabilidade do sistema de inspeção brasileiro.
“Os embargos também caíram rapidamente para equilibrar os preços no mercado externo, já que quando o Brasil estava fora do jogo os demais exportadores elevaram o preço. Prova disso é que já em maio tivemos alta de 27% em volume e 28% em faturamento dos embarques”.
Boas expectativas
A expectativa da Abiec é o Brasil exporte 1,5 milhão de toneladas de carne bovina por US$ 6,2 bilhões até o fim de 2017. Se confirmada a projeção, o desempenho será 9% maior em volume e 13% em receita do que obtido no ano passado.
Para 2018, a previsão é de crescimento de 9,8% em volume e 10,5% em receita. É esperado que Brasil fature US$ 6,9 bilhões com a venda de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina in natura ao exterior. Caso a estimativa se confirme, será a maior quantidade de carne embarcada desde as 1,62 milhão de toneladas de 2007. Também será a maior receita desde os US$ 7,2 bilhões de 2014.
As projeções são sustentadas pelo possível aumento das exportações para China, além da abertura e reabertura de mercados como Filipinas, Indonésia, Coreia do Sul e Tailândia.