Adrielly Gonçales, 7 anos, morreu no último sábado (3) em São Bernardo do Campo, após inalar grande quantidade de desodorante aerosol. A criança estava tentando imitar um vídeo na internet que mostra o chamado “desafio do desodorante”.

De acordo com o site Extra, a família chegou a levar a menina a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde os médicos tentaram reanimá-la, mas não foi possível reverter a parara cardíaca.

A família agora faz uma campanha nas redes sociais para alertar sobre o perigo do “desafio” que tirou a vida de Adrielly.

O Desafio

O "desafio do desodorante" consiste em inalar o produto pelo maior tempo que a pessoa conseguir suportar. No domingo, mesmo dia do velório de Adrielly, a família divulgou um texto no Facebook para alertar sobre os perigos da prática: "Ela, criança inocente, colocou o desodorante direto na boca e desmaiou, tendo parada cardíaca em sequência", diz o texto.

'Desafios' da internet ganham mais adeptos nas férias escolares

Diretora do Instituto Psicoinfo, Luciana Nunes assinala que os desafios da internet que atraem crianças e adolescentes ganham mais adeptos nas férias escolares, quando os estudantes têm mais tempo livre e são menos vigiados pelos pais, que estão trabalhando.

- Uma criança de 7 anos precisa estar acompanhada por adultos quando acessa a internet, porque ela não tem maturidade ou discernimento sobre o perigo representado por esses desafios - observa. - Existem dispositivos para filtrar o conteúdo a que ela pode assistir.

A psicóloga ressalta a existência de um padrão: jovens que participam destes desafios são expostos seis vezes, em média, a um conteúdo semelhante.

- Eles já viram vídeos, ou ouviram comentários de amigos - conta. - Não adianta fazer apenas uma campanha sobre o 'desafio do desodorante', porque muitos outros desafios aconteceram antes e outros podem aparecer depois. As crianças querem testar seus limites, por isso se engajaram meses atrás na Baleia Azul e antes a outro desafio em que deviam enforcar um amigo até que ele desmaiasse. Vemos que elas só começam a entender as consequências destes atos a partir dos 12 ou 13 anos.