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Coisa de menina? Ballet tem sido alívio para alunos em tempos de pandemia
Oficina Pública de Ballet atrai também meninos no Jacques da Luz
Ballet é coisa de menina! Quem nunca escutou essa frase, que atire a primeira pedra. Apesar da importância dos homens na dança, é raro encontrar meninos que sejam dançarinos desde pequenos. Muitos pais não incentivam seus filhos a dançarem, por acreditarem ser uma atividade mais apropriada para meninas.
Pensando nas crianças que não têm condições de pagar pela dança - devido ao alto custo - e em busca de cumprir os objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas como a redução das desigualdades e melhoria na qualidade de vida da população, a primeira-dama de Campo Grande, Tatiana Trad, teve a iniciativa de inovar e trazer para perto delas mais esta realidade.
Inaugurada no Parque Jacques da Luz, no segundo semestre de 2017, a primeira sala de aula da Oficina Pública de Ballet atrai centenas de meninas e alguns meninos a praticarem a modalidade.
Lucas Abranches Salvatore Nogueira, de 18 anos, pratica as aulas há quase um ano. “Namorei uma menina que fazia ballet no Jacques da Luz. Certo dia, fiquei assistindo ela fazer aula e no final perguntei para a professora se meninos também podiam fazer. Ela respondeu que sim, e estou até hoje”, conta o jovem.
Ao ser questionado sobre as piadas que os amigos fazem diante da escolha, o jovem diz tirar de letra. “Nem me importo. Levo na brincadeira”, afirma ele, aos risos, ao contar que levou cinco amigos para fazerem as aulas. “Tentei levar alguns amigos, mas eles não deram continuidade”.
No início, a professora Dalila Ferreira Nantes não acreditou que o menino levaria tão a sério. “Por ser um adolescente, pensei que ele não duraria uma semana. Mas ele gostou da aula, da turma e está até hoje. Ele é muito esforçado”, enfatiza Dalila, a primeira professora do projeto.
Além de ensinar os passos de ballet, a professora conta que também conversa muito com as alunas e os familiares sobre a participação de meninos nas aulas. “Não percebo nenhum tipo de preconceito; pelo contrário, existe um respeito mútuo”, conta Dalila.
Lucas mora com o pai e a avó no Bairro Moreninhas. Segundo ele, o pai sempre o apoiou em suas decisões. “Se é uma coisa que ele gosta, não tem porque eu ir contra. Somos ligados no 220”, ressalta o pai do jovem bailarino, Luciano Teodoro Nogueira, 37 anos.
Em época de pandemia, as aulas de ballet estão sendo on-line, o que desanimou um pouco Lucas e suas amigas. “Não é a mesma coisa. Espero que volte logo”.
Quem também sente falta das aulas, mas encontrou alívio nos encontros on-line, é a pequena Lorena Vitória, de 4 anos. Ela entrou no ballet apenas como uma atividade complementar. A pediatra pediu para a mãe, Marcela Domingues Miranda de Sousa, colocá-la para se movimentar, e na Emei Maria Oleira Lima a professora indicou as aulas no Parque Jacques da Luz.
A dança, que seria apenas um exercício no dia a dia, aos poucos se tornou a paixão da menina, que contava os dias para as aulas acontecerem, e hoje conta para os encontros on-line, que acontecem todas segundas e quartas feiras.
A mãe diz que as aulas por vídeo-conferência têm sido um alento em meio as incertezas do momento tão difícil que todos estão vivendo. “Ela fica o dia todo em casa. Agora, este é o momento de ver as amiguinhas, a professora. Tem sido o momento de entretenimento para ela”, diz, enfatizando que a filha adora dançar.
Além das aulas on-line, a professora envia vídeo por aplicativos de mensagens para os alunos complementarem os aprendizados.
Além do Parque Jacques da Luz, a Oficina Pública de Ballet também está instalada no Parque Ayrton Senna, no Aero Rancho e no Centro Olímpico Vila Nasser. A quarta sala de aula está sendo construída na Praça dos Rouxinóis.
Tanto o uniforme quanto os acessórios que compõe o kit das bailarinas, como sacola, redinha, colã, meias e sapatilhas são entregues gratuitamente as participantes do projeto. As professoras são cedidas pela Fundação Municipal de Esporte.