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Onça resgatada em incêndio na Serra do Amolar é devolvida ao Pantanal
O animal terá sua reintegração à natureza acompanhada por meio de um colar de monitoramento
A onça macho resgatada na Serra do Amolar em novembro de 2020 e trazida para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) foi devolvida a seu habitat natural nesta semana.
A onça sobrevivente permaneceu por dois meses e meio no CRAS e passou por quatro baterias de exames “que demonstraram gradualmente a melhora do animal”. Nesse trabalho os técnicos do CRAS contaram com apoio de instituições como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e organizações não governamentais. As queimaduras nas patas foram tratadas com aplicação de ozônio e a cicatrização foi completa.
Segundo o presidente do Instituto Homem Pantaneiro, coronel Angelo Rabelo, o momento é de reflexão sobre todas as etapas de apoio à fauna afetada. "Esta soltura é importante porque é uma espécie ameaçada, além de estar no topo da cadeia, sendo importante para a biodiversidade da Serra do Amolar. Conseguimos por meio de doação a compra do colar no valor de 1,3 mil dólares, importado dos Estados Unidos, que vai fazer o monitoramento da onça".
De volta à natureza
O transporte foi realizado com a aeronave Cesna Gran Caravan da Força Aérea Brasileira (FAB) até a Serra do Amolar. O voo teve 1h30 de duração e o animal chegou ao seu destino às 13h. A onça chegou dormindo e foi colocada em trator dentro da jaula. Em um percurso de 15 minutos seguiu para embarcação para ser solta.
Após chegar na área, o grupo teve que aguardar a onça acordar, até que ela estava apta a voltar ao habitat e os profissionais abriram a jaula. Ela seguiu a passos lentos pela mata na Serra do Amolar.
O animal, terá sua reintegração à natureza acompanhada por meio de um colar de monitoramento. A coleira contém uma bateria e um chip que a cada hora emite um sinal, capturado pelo satélite e retransmitido ao software de monitoramento. A onça, com aproximadamente dois anos de idade, chegou ao CRAS no dia 4 de novembro, após ter sido resgatada por equipes de organizações não governamentais que atuam no Pantanal.
Segundo a conselheira do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Gisele Bandeira, a proposta de deixar a onça no mesmo local onde foi resgatada é importante para seu restabelecimento. "A informação que recebemos é que o processo de soltura é mais estressante ao animal do que a captura, já que antes ela estava debilitada, pedindo ajuda. Agora ela volta para seu habitat depois de dois meses".