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Dia Nacional do Ciclista: usuários contam histórias nas ruas da capital
Ciclistas mostram que atividade com a 'bike' pode ser hobby e trabalho
Andar de bicicleta nas ruas da cidade não é nada fácil, alguns fazem por obrigação, mas nesta quinta-feira (19), no dia Nacional do Ciclista, alguns usuários provam que a atividade também pode ser prazerosa.
Willian Rosa Leite, auxiliar de almoxarifado de 28 anos, conta que faz o percurso de 4 km todos os dias para ir trabalhar e revelou alguns perrengues. “É o meio de transporte que eu uso e me ajuda muito, ou a outra opção seria ir trabalhar a pé, mas a dificuldade é quando fura o pneu, esses dias até a roda quebrou”, segundo ele o conserto não saiu por menos de R$ 200. “Mas a gente continua, eu tenho minha magrela há anos e já andei muito por Campo Grande com ela”, concluiu.
A autônoma Luana Erica Alves de 30 anos tem uma experiência diferente, ela conta que pedala por hobby. “Sinto prazer em pedalar gosto da sensação de ser livre, poder andar por vários lugares diferentes e ao mesmo tempo apreciar as paisagens que vão surgindo ao longo dos caminhos”. Luana começou a atividade há cerca de um ano e meio e sempre anda aos finais de semana. “Meu maior km foi 51”, revelou.
Ao juntar hobby e trabalho, Eduardo Romero jornalista e secretário adjunto de Cidadania e Cultura de Mato Grosso do Sul, que vai de bicicleta para o trabalho por pelo menos três vezes na semana comenta que a ‘bike’ dá liberdade para ele interagir com as paisagens da cidade. “Ando de bicicleta porque para mim é o maior termômetro que existe da liberdade humana, ela possibilita interagir com as paisagens da cidade, com as pessoas da comunidade, com o ritmo da vida e da cidade em geral”, declarou.
Desde os 16 anos, no primeiro emprego, a bicicleta acompanha Eduardo. “Quando comecei o meu primeiro trabalho, ia do Universitário ao centro da cidade, depois quando entrei no teatro, nós, os atores, levávamos os cenários e figurinos nas malas de bicicleta e, depois como vereador por dois mandados mantive a rotina de andar de bicicleta semanalmente”.
Apesar dos prazeres, ele lembra que nem sempre é seguro e tranquilo a atividade por questões climáticas, como muito calor, frio ou chuva, trânsito e dificuldades na malha cicloviária. “O maior desafio é ter um trânsito seguro que independente de faixa exclusiva para bicicletas, que a gente tenha o respeito ao ciclista e ao pedestre em todas as áreas da cidade”, Romero também contou que já passou por um momento crítico. “Um dia quando estava indo para Câmara Municipal fui atropelado no caminho e acabei tendo uma fratura no braço esquerdo, punho e cotovelos e no braço direito tive uma lesão em dois dedos e no nervo também, fiquei mais de seis meses imobilizado nos braços sem poder pedalar e depois uma readaptação, não deixei de usar a bike, mas serviu de alerta”.
O secretário faz 10km de casa ao trabalho, e aos finais de semana usa a bicicleta para fazer trilhas, em benefício de um melhor condicionamento físico, qualidade de vida, e diz que melhora o sono e diminui a ansiedade, “acho que ela deveria ser usada por mais gente, as vezes se não da pra encaixar na rotina do trabalho, mas vezes pode encaixar na ida na padaria na visita a um amigo, um trajeto mais curto, num horário mais agradável, mas é importante começar a usar e perceber esses benefícios até por questões ambientais, ai se apaixona”, ressaltou.
Benefícios na pandemia
Os benefícios não são apenas para a saúde, a atividade de andar de bicicleta foi aconselhada até mesmo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em um guia sobre como transitar na cidade durante a pandemia. “Sempre que possível, considere andar de bicicleta ou caminhar: isso proporciona distanciamento físico, ajudando a cumprir o requisito mínimo para a atividade física diária, que pode ser mais difícil devido ao aumento do teletrabalho e acesso limitado ao esporte e outras atividades recreativas". Contudo, é necessário fazer algumas adaptações na pedalada ao ar livre para prevenir o contágio pelo novo coronavírus, como utilizar máscara e manter o distanciamento mínimo.
A pedalada para crianças e adolescentes melhora a resistência cardiorrespiratória; aptidão muscular; composição corporal; saúde óssea. Já nos adultos diminui risco de morte precoce por AVC, diabetes tipo 2, pressão arterial elevada, auxilia na perda de peso e melhora o sistema cardiorrespiratório.
Pesquisa
Em uma pesquisa organizada pela Transporte Ativo e pelo LABMOB-UFRJ, entre setembro de 2017 e abril de 2018 teve resultados sintéticos apresentados que revelam as principais tendências do deslocamento por bicicleta em várias cidades brasileiras.
Em Campo Grande a pesquisa foi realizada pelo Bici Nos Planos CG de segunda a sexta e em horário comercial. Foram entrevistados 306 ciclistas pela cidade.
De acordo com a pesquisa, a motivação de 35,3% dos entrevistados para continuar pedalando é a saúde seguido de números iguais de 30,7% de pessoas que fazem pela rapidez e praticidade e custo. Já para aqueles que ainda não praticavam a atividade, a motivação para começar é o custo benefício, e 29% disseram que começariam por preocupação ambiental e saúde.
O problema do dia a dia que foi mais apontado pelos ciclistas é a segurança do trânsito com 46,4% dos votos, seguidos por pouca infraestrutura como ciclovias ou ciclofaixas, 33,3%, tiveram essa resposta
Um projeto desenvolvido pela Agência Municipal de Trânsito (Agetran), em parceria com a Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), tem a intenção de implantar pelo menos mais 15 quilômetros de ciclovias e cliclofaixas pela cidade, interligando, finalmente, toda a malha cicloviária.