Alguns pesquisadores do estado norte-americano do Oregon, iniciaram um trabalho com um tipo de verme, a nematoide minúsculo chamado Caenorhabditis elegans e decidiram embeber os vermes em canabinoides – as substâncias ativas encontradas na erva.

Os pesquisadores descobriram que os canabinoides deixaram os vermes mais famintos por seus alimentos favoritos e menos famintos por seus alimentos não favoritos. A pesquisa acabou revelando que os vermes, como os humanos, se envolvem em alimentação hedônica – um fenômeno mais comumente conhecido como larica.

“O próprio fato da alimentação hedônica em nematoides foi surpreendente. A fome em um verme. Sério?”, disse Shawn Lockery, professor do Instituto de Neurociência da Universidade de Oregon em Eugene e coautor de um estudo publicado na quinta-feira (20) na revista científica Current Biology. Anteriormente, os canabinoides eram conhecidos apenas por afetar humanos e outros mamíferos – fazendo-os querer comer mais e desejar os alimentos mais saborosos e calóricos.

Os vermes se alimentavam de diferentes tipos de bactérias.

Vermes fluorescentes

Medindo a taxa de deglutição dos vermes, Lockery e sua equipe determinaram que os canabinoides estavam aumentando a quantidade de uma determinada mistura de bactérias que os vermes comiam, tornando-os mais famintos. Eles mostraram que os vermes ansiavam pela comida que achavam mais saborosa, colocando-os em um labirinto em forma de T que era iscado com uma mistura de bactérias preferidas e comida menos preferida.

Os vermes também foram geneticamente modificados para que certos neurônios e músculos tivessem brilho fluorescente, com pontos verdes mostrando neurônios que respondem a canabinoides.

Lockery acrescentou que os ingredientes ativos da cannabis fizeram com que os “neurônios olfativos dos vermes fossem mais sensíveis aos alimentos preferidos e menos sensíveis aos alimentos menos preferidos”, mas por que isso aconteceu era “um grande mistério”, então ele planejou acompanhar isso.

Em humanos e outros animais, os canabinoides atuam ligando-se a receptores canabinoides no cérebro, sistema nervoso e outras partes do corpo, disse Lockery.

“Nossas descobertas nos ajudam a entender melhor nosso lugar no universo animal”, disse Lockery por e-mail. “Isso mostra que, em pelo menos um aspecto, as decisões que tomamos são influenciadas por fatores que até um verme pode entender.”

Lockery disse que a pesquisa tem potencial para acelerar a descoberta de novos medicamentos para distúrbios metabólicos, incluindo a obesidade.