Depois da repercussão do caso onde um fotojornalista canadense e sua esposa, antropóloga brasileira e um engenheiro florestal brasileiro foram agredidos por seguranças privados em uma comunidade indígena em Iguatemi nesta semana, do outro lado da história, o Sindicato Rural de Iguatemi solicitou medidas urgentes pela paz no campo.

A Defensoria Pública da União informou que, na manhã do dia 22 de novembro, data da agressão, havia encaminhado ofício à Delegacia de Amambai, solicitando diligências para verificar denúncias recebidas pela instituição sobre agressões à comunidade indígena Guarani Kaiowá. Seguranças privados estariam efetuando disparos com armas de fogo nesta região, onde acontece a retomada da Fazenda Maringá.

Na noite do mesmo dia 22, a Polícia Federal de Naviraí e a Força Nacional efetuaram diligências nessa região e efetuaram a prisão em flagrante de um produtor rural por encontrarem munição em sua residência.

Em passagem pelo Mato Grosso do Sul, para participar da terceira etapa da “Caravana Participa, Parente!”, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara destacou que este não é um caso isolado de intimidação de registros do cenário das comunidades indígenas no país. “O Ministério continua acompanhando por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos, para que a gente possa garantir a segurança para eles retornarem para seu estado”, frisou.

O que dizem os fazendeiros

Os conflitos entre fazendeiros e indígenas permanece nas regiões do interior de Mato Grosso do Sul, por isso, conforme o Sindicato Rural de Iguatemi, existe risco de "mais invasões dos indígenas", desta vez, na Fazenda Maringá e encaminhou ofício ao Governador Eduardo Riedel, à Coordenadoria local da FUNAI, Polícia Federal, MPF, Força Nacional, Exército, Famasul, Prefeitura e Câmara de Iguatemi, dentre outras instituições. 

A região é alvo de processo de estudo de demarcação e enfrenta histórico de crime de invasão desde 2012, segundo o Sindicato. Ao todo, são 40 mil hectares de terras, 46 propriedades rurais, que passam pelo processo. 

"Com o conflito inflamado, os produtores e seus familiares estão com medo de novos episódios de invasões".  No documento, o Sindicato pontua que uma das dificuldades no processo é o incentivo de instituições indígenas para as invasões. “Temos notícia de que o Conselho Indigenista Missionário aparece como um dos que estão coordenando e municiando as invasões. Há uma coação de indígenas por parte das lideranças para praticarem os atos, pois se sentem ameaçados. Isso não é novidade”, segundo o ofício. 

Foi solicitado, no ofício, o noticiamento das invasões e a para que sejam tomadas medidas cabíveis a fim de atuar em prol da paz na área rural deste município, como fiscalizar a atuação da FUNAI e dos órgãos federais atuantes no município e coibir o descumprimento do direito de retenção previsto pelo STF.