Internacional
Ex-presidente Santiago Peña tem prisão preventiva decretada em investigação sobre Banco Ueno
Juiz determinou que o ex-presidente permaneça em unidade militar em Assunção; Ministério Público investiga operações com recursos públicos que podem envolver US$ 809,5 milhões
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, durante as investigações sobre as operações financeiras que levaram ao colapso do Banco Ueno. A determinação partiu do juiz Humberto Otazú, que atendeu a um pedido do Ministério Público. Peña continuará detido no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção.
Na decisão, o magistrado apontou que a prisão é necessária para impedir uma possível saída do ex-presidente do país e garantir sua permanência à disposição das autoridades. Também foram considerados os riscos relacionados à segurança de Peña e à possibilidade de interferência nas investigações.
Outro argumento apresentado pelo juiz foi o acesso que o ex-presidente teve a informações estratégicas sobre o sistema financeiro e o crime organizado durante seu mandato. Por esse motivo, Otazú avaliou que a permanência em uma instalação militar seria mais adequada do que o encaminhamento a um presídio comum, destino defendido por manifestantes paraguaios.
A ordem de prisão foi expedida depois que Peña compareceu ao Ministério Público para prestar depoimento aos investigadores. Na sequência, ele foi conduzido ao Palácio da Justiça, onde participou de uma audiência para definição das medidas cautelares.
O procedimento investiga possíveis irregularidades em operações financeiras envolvendo dinheiro público e recursos previdenciários depositados no Banco Ueno, instituição que passou por intervenção do Banco Central paraguaio. De acordo com informações publicadas neste domingo (8) pelo jornal ABC Color, o Ministério Público estima que as operações investigadas envolvam aproximadamente US$ 809,5 milhões em recursos públicos.
Os dados apresentados pela acusação indicam que, até setembro de 2026, o banco mantinha cerca de US$ 233,4 milhões em depósitos de órgãos públicos. Outros US$ 576,1 milhões correspondiam a recursos públicos convertidos de guaranis.
A investigação também busca esclarecer a relação de Peña com empresas pertencentes ao grupo econômico ligado à instituição financeira. A suspeita é de que ele tenha mantido vínculos societários com integrantes do conglomerado durante o período em que ocupava a Presidência do Paraguai.
Peña nega envolvimento em práticas ilegais. As suspeitas apresentadas pelo Ministério Público ainda serão submetidas à análise da Justiça, e a decretação da prisão preventiva não representa uma condenação. O caso provocou uma crise política no Paraguai e resultou no afastamento de Peña da Presidência, após a aprovação de seu impeachment pelo Senado. Com a saída do ex-presidente, o vice Pedro Alliana assumiu o comando do país.
A investigação sobre as operações do Banco Ueno continua, com o objetivo de esclarecer a participação dos envolvidos e a destinação dos recursos públicos movimentados pela instituição.