Boa vizinhança
Bolívia e Paraguai concluem demarcação da fronteira 88 anos após acordo de paz
Último trecho de 3,5 quilômetros foi definido durante reunião em La Paz, encerrando processo iniciado após a Guerra do Chaco
Bolívia e Paraguai concluíram na quarta-feira (16) a demarcação integral da fronteira entre os dois países, 88 anos após a assinatura do acordo de paz que encerrou a Guerra do Chaco. O último trecho que ainda estava pendente foi definido durante uma reunião de três dias da Comissão Mista Demarcadora de Limites, realizada em La Paz.
A área final corresponde a 3,5 quilômetros no Rio Negro, também chamado de Otuquis, no sudeste da Bolívia. O trecho fica em uma região alagável do Pantanal, área compartilhada por Bolívia, Brasil e Paraguai. Para estabelecer os limites, as equipes utilizaram drones de alta precisão e cruzaram dados técnicos.
Com a conclusão, a fronteira entre Bolívia e Paraguai passa a ter cerca de 742 quilômetros, sendo 38 quilômetros em áreas fluviais. O vice-chanceler boliviano, Carlos Paz, destacou o acordo como resultado da disposição dos dois países em solucionar pendências. Segundo ele, o Paraguai é o primeiro país com o qual a Bolívia consegue concluir a demarcação de toda a fronteira sem questões pendentes.
Além de definir com precisão os limites territoriais, o trabalho deve facilitar a atuação dos dois países em situações de emergência. De acordo com Paz, a identificação dos marcos fronteiriços pode melhorar a resposta a incêndios e outros desastres naturais na região.
A Guerra do Chaco ocorreu entre 1932 e 1935, quando Bolívia e Paraguai disputaram o controle do Chaco Boreal. O conflito terminou com a assinatura da paz em 1938 e resultou na perda, pela Bolívia, de aproximadamente 235 mil quilômetros quadrados de território.
Em nota, a embaixada do Paraguai na Bolívia afirmou que a conclusão da demarcação é resultado de anos de diálogo, cooperação técnica e compromisso político. Os dois governos também destacaram a relação de boa vizinhança entre os presidentes Rodrigo Paz, da Bolívia, e Santiago Peña, do Paraguai.