Paraguai
Senado do Paraguai rejeita pedido de Peña para adiar defesa em impeachment
Presidente solicitou mais 72 horas para analisar documentos e contratar advogados, mas 39 senadores votaram contra a concessão do prazo. Julgamento foi retomado nesta sexta-feira
O Senado do Paraguai rejeitou, nesta sexta-feira (6), o pedido do presidente Santiago Peña para obter mais 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment que pode retirá-lo do poder. Dos 44 senadores que participaram da votação, 39 foram contrários à prorrogação, três votaram a favor e dois se abstiveram.
Peña havia solicitado o prazo adicional sob a justificativa de que recebeu a documentação do processo somente na noite de quinta-feira (5), o que, segundo ele, não permitiria uma análise adequada em menos de 12 horas. O presidente também alegou precisar de tempo para contratar um advogado de confiança e organizar sua representação jurídica.
Na manifestação encaminhada ao Senado, o chefe do Executivo argumentou que a falta de tempo compromete seu direito à ampla defesa e às garantias do devido processo legal, especialmente diante da possibilidade de uma decisão que resulte em sua destituição.
Com a rejeição do pedido, o julgamento, iniciado na quinta-feira, foi retomado pouco antes das 11h desta sexta-feira. Após a votação, o presidente do Senado, Basilio Bacchi Núñez, anunciou um intervalo na sessão para que Peña compareça ao Congresso e dê continuidade à apresentação de sua defesa. A expectativa é de que ele esteja acompanhado dos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.
A crise política que ameaça o mandato de Peña foi desencadeada pelo escândalo envolvendo o banco digital Ueno, que entrou em regime de resolução. A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, dos quais US$ 355 milhões estavam vinculados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.
O encerramento das atividades deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às próprias contas. O impacto ganhou ainda mais dimensão diante da população paraguaia, estimada em 6,4 milhões de habitantes.
A situação do presidente se agravou após vir a público que ele foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial proprietário do Ueno. Peña permaneceu ligado ao grupo até março de 2025, mesmo depois de assumir a Presidência, em agosto de 2023. A relação levantou suspeitas sobre possíveis favorecimentos do governo à instituição financeira.
Na quinta-feira (5), em meio ao agravamento da crise, Peña apresentou uma carta de renúncia, mas a Câmara dos Deputados rejeitou o documento. Com isso, o processo de impeachment foi mantido, e o presidente continua formalmente no cargo até que o Congresso conclua o julgamento e decida sobre seu futuro político.